Política

Série Vereadores Eleitos: José Carlos Batata quer a Câmara apenas legislando

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

No atual mandato, o vereador José Carlos Batata (PT) participou de diversos processos de cassação que tiveram como alvo alguns de seus companheiros de Câmara Municipal e o prefeito Nilson Costa (sem partido). Reeleito com 3.038 votos, ele afirma que gostaria de passar os próximos quatro anos sem precisar se envolver com novos procedimentos investigativos.

“O mandato que está terminando foi o mais frustrante dos três que exerci até o momento. Nós não conseguimos de fato produzir para a cidade aquilo que poderíamos, pois ficamos praticamente dois anos preocupados em investigar e cassar, o que não é próprio do Poder Legislativo”, lamenta.

Batata confessa que se sentiu incomodado com os processos de cassação. “O legislador não foi feito para julgar e eu fico muito mal quando tenho que fazer isso, pois não fui preparado para esse tipo de tarefa”, relata.

Ele acredita, no entanto, que a próxima legislatura será diferente. “A cidade não suportará mais um processo como aquele que foi vivido neste mandato. O parlamentar é eleito para legislar e atender às reivindicações da comunidade. O processo de julgamento deve ser uma exceção para o vereador”, comenta.

O petista conta que irá se dedicar à implantação do Programa Fome Zero, do governo federal, em Bauru. “Vou lutar para que, efetivamente, ele esteja funcionando no município em 2005. Antes, temos que constituir o Conselho Municipal de Segurança Alimentar (CMSA) e o Fundo Municipal de Segurança Alimentar (FMSA)”, anuncia.

Batata e Nilson passaram o ano divergindo por causa do conselho. O vereador elaborou o projeto de lei que criava o CMSA, mas o prefeito vetou a proposta, alegando que ela teria que partir do Poder Executivo.

Depois disso, Nilson enviou novo projeto à Câmara, desta vez de sua autoria, e a instalação do CMSA foi finalmente aprovada no último mês. “A minha expectativa é que o conselho esteja constituído em fevereiro”, revela o parlamentar.

Depois de 12 anos atuando na oposição, ele se prepara agora para a possibilidade de estar do outro lado. “O PT tende a se reunir no início do ano para definir qual será a sua posição em relação ao novo governo. A decisão será do partido, mas como nós apoiamos o Tuga no segundo turno das eleições, é provável que pela primeira vez possamos ser situação na cidade”, analisa.

Batata lembra que o início da próxima administração está sendo bastante aguardado. “Há uma grande expectativa de toda a cidade para que o Tuga possa, de fato, atender às reivindicações da comunidade, principalmente no que diz respeito a infra-estrutura, asfalto, saúde e educação”, destaca.

A partir de janeiro, ele irá conviver com outros 14 parlamentares, e não mais com 20. A determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deixou o petista chateado. “Se o objetivo era diminuir custos, o melhor era reduzir salários, e não o número de vereadores. A população mais carente perdeu representatividade”, critica.

Batata conta que está motivado para exercer a função de vereador por mais quatro anos. “Um mandato nunca é igual ao outro e cada um sempre tem suas particularidades, mas do ponto de vista da experiência, há uma tranqüilidade maior em relação a quando você está começando. A minha preocupação hoje é fazer um trabalho voltado para a elaboração de leis que ajudem a cidade”, declara.

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