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Grupo Alcóolicos Anônimos completa 30 anos em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Mais do que auxiliar na superação da dependência, a irmandade Alcóolicos Anônimos (AA) conseguiu driblar o preconceito em 30 anos de trabalho em Bauru. A data comemorada na semana passada não foi marcada por solenidades, mas por histórias de conquistas pessoais.

Uma delas é de Carlos (nome fictício), 75 anos, que em 1976 assumiu a impotência perante o álcool e tomou coragem para ingressar no AA. “Antes de entrar (na entidade) olhava para os dois lados (preocupado que alguém o notasse e descobrisse sua dependência). Era uma porta na quadra 5 da rua Ezequiel Ramos”, conta.

De acordo com ele, o trabalho começou a ser realizado em Bauru depois que um funcionário de uma grande empresa na cidade foi enviado para São Paulo para se recuperar da dependência. “Ele voltou e montou o AA. Fui para lá depois que li no JC um anúncio que dizia: se você quiser beber, o problema é seu. Se quiser parar, o problema é nosso”, recorda.

A decisão dele foi aprovada pela família, assim como aconteceu com André (nome fictício), 52 anos. “Parei de beber aos 30 anos, depois de várias internações. Minha esposa me ajudou muito. Já caminhamos 70% em direção à aceitação da comunidade. É uma doença física, mental e emocional, que atinge 14% da população. Parar de beber requer uma mudança profunda na maneira de viver, agir e pensar”, ressalta André.

Enquanto o rumo da vida dele era transformado, os conceitos médicos referentes ao assunto também foram alterados no decorrer desses 30 anos. Em 1974 acreditava-se que o alcoolismo era uma doença única. Atualmente, sabe-se que ela é normalmente acompanhada por outras patologias como depressão, fobia social e compulsão, informa o psiquiatra especialista em álcool e drogas, Sérgio Sato.

Para superá-la, homens e mulheres têm procurado entidades que trabalham na recuperação da dependência. Pelo menos quatro grupos em Bauru seguem os conceitos do AA. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3234-0250.

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Manifesto

O Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Centro de Atendimento Psicossocial de Álcool e Drogas continuam coletando assinaturas para pressionar o Congresso Nacional a aprovar um projeto de lei que prevê a restrição de propaganda de cervejas e outras bebidas alcóolicas, em meios de comunicação e eventos esportivos, culturais e sociais.

Conforme o JC já divulgou, o objetivo é juntar cerca de um milhão de signatários para cobrar a nova legislação, atualmente sob a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Antes de ser submetido ao plenário, o projeto de lei ainda será debatido numa audiência pública. Para os organizadores do manifesto pela proibição da propaganda, o País carece de uma política pública para atender o problema, o que facilita o acesso de jovens ao consumo de álcool.

“A restrição da propaganda não me impediria de beber”. A afirmação é de uma adolescente de 17 anos, que pediu para ter o nome preservado. Ela, que ficou embriagada pela primeira vez aos 14 anos, diz que bebe todos os finais de semana. Por noite, consumiria sozinha cerca de cinco garrafas de cerveja. Ela só abdicaria do álcool por orientação médica, em caso grave.

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