Um adolescente de 13 anos se entregou na última sexta-feira à polícia e confessou ter sido o autor dos disparos que mataram Patrick Eduardo Augusto dos Santos, 19 anos, cujo corpo foi encontrado no último dia 12 parcialmente enterrado num terreno entre a Vila Garcia e o Parque São Geraldo.
O menor compareceu à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) na companhia de um advogado e de Rony Henrique Xavier, 19 anos, que teria participado dos procedimentos de tentativa de ocultação do corpo da vítima. Segundo o titular da DIG, delegado J.J. Cardia, os dois jovens também entregaram um revólver calibre 38 que, supostamente, teria sido utilizado no crime.
Santos estava desaparecido desde o último dia 6, mas apenas no dia 9 a sua mãe, Maria Lúcia Augusto dos Santos, registrou um Boletim de Ocorrência (BO) de desaparecimento. No dia 12, porém, uma ligação anônima levou os familiares de Santos à quadra um da rua Aymone Alves da Silva, onde seu corpo estava semi-enterrado e já em estado de decomposição. A vítima não possuía passagem pela polícia.
Segundo o depoimento do menor a Cardia, ele, Xavier e Santos teriam ido a um barraco abandonado na favela Maria Célia para consumir “mesclado” - uma mistura de maconha e crack. Ainda segundo o menor, Santos estaria armado com o revólver que acabaria sendo usado contra ele mesmo.
O menor continua relatando que, alterados pelo uso da droga, Santos e Xavier teriam se desentendido e iniciado uma violenta luta corporal. Na confusão, o adolescente teria se apossado da arma, disparado cinco vezes contra Santos e fugido do local na companhia de Xavier.
Durante a noite, os dois teriam retornado ao local com a intenção de esconder o corpo. Para tanto, conta o menor, ele e Xavier enrolaram a vítima num lençol e a carregaram por cerca de 300 metros numa carriola até o local onde acabaram enterrando a vítima.
Cardia diz que já enviou o revólver entregado pelo suposto autor do crime para a perícia técnica para determinar se houve disparo recente com a arma. Posteriormente, o titular da DIG vai pedir o exame de balística para saber se os projéteis retirados do corpo da vítima saíram realmente do revólver apresentado.
O menor foi encaminhado ao Juizado da Infância e Juventude, que determinou a sua internação provisória no Núcleo de Atendimento Integrado (NAI). Já o maior responderá em liberdade pelos crimes de co-autoria em homicídio (pena de seis a 20 anos de reclusão) e ocultação de cadáver (um a três anos). Cardia explica que a liberação de Xavier se deu porque não houve o flagrante.
O menor pode ficar até cinco dias em uma das celas do NAI, sendo encaminhado posteriormente a uma unidade de internação provisória da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem) à espera pelo julgamento, que deve acontecer num prazo máximo de 45 dias. Só então, a Justiça definirá qual medida sócio-educativa será aplicada. Se a opção for pela medida de restrição da liberdade, o menor então será encaminhado a uma unidade de internação da Febem.