Política

Série: Vereadores Eleitos
Borges troca bastidores por holofotes

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador eleito Marcelo Borges (PSDB) sempre foi conhecido nos meios políticos de Bauru por sua capacidade de articulação nos bastidores. A partir de janeiro, ele viverá pela primeira vez a experiência de estar do outro lado, na linha de frente da política municipal. O tucano garante estar preparado para o desafio.

“Vou para a Câmara com o objetivo de trabalhar. Faço política há mais de 26 anos e já ocupei vários cargos, mas nunca um mandato eletivo. Será uma experiência interessante”, projeta.

Borges recebeu 3.551 votos em outubro, a segunda melhor performance entre os 15 eleitos. Ele afirma que já definiu qual será a prioridade do seu primeiro mandato. “Temos muito o que fazer na periferia, principalmente para atender o povo mais humilde que não tem asfalto, remédio, médico, luz e outros itens”, declara.

Ele pretende, ainda, debater assuntos ligados à habitação. “Eu gosto muito dessa área e hoje ela é um direito constitucional do cidadão, ao lado da saúde e educação”, comenta.

Borges critica a formatação da Comissão Permanente da Câmara que trata do assunto. “Pelo Regimento Interno, esse setor está incluído em obras, mas habitação também trata da legalização de loteamentos”, destaca.

O tucano também quer estimular a realização de audiências públicas. “Elas servem como uma espécie de ressonância da sociedade e são importantes para que os problemas da cidade sejam discutidos”, argumenta.

Ele já sabe qual será o seu comportamento em relação ao próximo prefeito. “Vou legislar e fiscalizar. Se o Tuga Angerami (PDT) cumprir todas as promessas que fez durante a eleição, terá pouca oposição na Câmara”, avalia.

Para Borges, caberá a Tuga administrar o seu relacionamento com os vereadores. “Em Bauru, quem dá o ritmo é o prefeito. Se ele for um sujeito paciente, consegue governar com mais tranqüilidade. Se quiser aprovar seus projetos à força, tem mais trabalho”, analisa.

Ele acredita que a diminuição do número de vagas no Poder Legislativo, de 21 para 15 no próximo mandato, fortalecerá o processo de discussões entre os parlamentares e terá outros reflexos. “Teoricamente, parece mais fácil para o prefeito ter o controle da Câmara com essa redução, mas a longo prazo acho que pode não ser bem assim”, diz.

O tucano espera que a próxima legislatura não enfrente a grande quantidade de processos de cassação que a atual teve pela frente. “Essa Câmara foi a que mais sofreu desgaste nos últimos tempos, mas acredito que vamos ter um mandato mais tranqüilo. Temos muito a fazer para ajudar a reconstruir Bauru”, destaca.

No total, o PSDB terá quatro parlamentares no Legislativo e dobrará seu número de representantes a partir de janeiro. “Teremos uma bancada forte, principalmente se levarmos em consideração nossa aliança com o PP. É um bloco razoável de vereadores”, analisa.

Borges conta que começou a fazer política nos tempos de faculdade. “Fui dirigente estudantil e depois participei da fundação de partidos, ganhei e perdi eleições”, relata.

Ele revela que sente saudade dos velhos tempos. “Antigamente, a política era mais romântica, talvez até pelo fato de sermos mais jovens. Hoje, você tem alianças que antes seriam impensáveis”, compara.

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