A manhã do dia 20 de dezembro de 2004 foi invadida por uma imensa ausência: Dr. Antônio Luiz Olino...
Como defini-lo? Amigo. Amante da vida e da natureza. Alegre, melhor dizendo, feliz. Cheio de esperança. Sempre disposto a unir, reunir, resolver, ajudar, festejar...
Naquela manhã, o que mais desconcertava era o teu silêncio. Se saia ao jardim, tudo parecia falar... os pássaros, as pessoas, a própria chuva insistia em orquestrar as vozes e os sons... você, porém, se calava num silêncio obstinado e insuportável, que foi minando em mim as mais sólidas resistências ...
Uma certeza me consolava num pensamento que se repetia quase como uma prece... você se foi cedo demais, mas as pessoas especiais se vão assim mesmo, cedo demais...
E, no meu silêncio, em meus ininterruptos pensamentos perguntava sem parar sobre o sentido da vida, pensava no discurso bonito que alguém deveria proferir no exato momento, ensaiava a palavra certa para o consolo dos amigos... Mas o tempo...ah o tempo! “a leitura do jornal, o beijo de despedida antes de partir para o trabalho, devem acontecer segundo a tirania das agulhas do relógio... Velocidade e rotina, impulso e freio”. Passou o tempo e as respostas se calaram, o discurso, a palavra certa e o momento exato, também se calaram. A chuva na noite quase se unia as várias lágrimas de um sem número de sentinelas que aguardavam o desfecho da despedida anunciada e, entre um soluço e outro, acompanhavam o início daquela que seria a última viagem, rumo à terra das suas raízes...
Ficou um vazio. Como preenchê-lo? A resposta foi surgindo devagarzinho, mesmo antes da tristeza se dissipar. O tempo de amizade foi também um tempo de aprendizagem. Talvez o tempo da sua vida foi a medida certa para que compreendamos que é preciso praticar um pouco dos seus ensinamentos: Amar os amigos, viver intensamente a vida, preservar a natureza, ajudar os que precisam de nós, ter esperança...
“É a vida é assim mesmo, embrulha, enrosca, enrola para depois desenrolar, o que ela quer da gente é coragem”. Essa frase, tomada emprestada de Guimarães Rosa, bem que poderia ser do Olino, Doutor e homem simples, a que devemos nossa lembrança e nossa coragem de seguir em frente. (Rinaldo Correr - psicólogo e professor do curso de psicologia da USC)