Economia & Negócios

Terceirizados da CPFL fazem greve por falta de pagamento

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Os 50 funcionários de Bauru da empresa Coneplan, que presta serviços para a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), paralisaram suas atividades ontem por conta do atraso no pagamento de salários, do 13º e na entrega das duas últimas cestas básicas. Até o final da tarde de ontem, eles ainda aguardavam a confirmação do depósito dos rendimentos, prometido pela empresa. Caso o pagamento seja confirmado, eles voltariam ao trabalho hoje pela manhã.

De acordo com Everton Rodrigues de Matos, membro do Sindicato dos Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia), a entidade vem tentando um acordo com a CPFL e a Coneplan para a regularização da situação dos funcionários desde segunda-feira. Na data, deveria ter sido efetuado o depósito do 13º salário e do vale-pagamento dos servidores, equivalente a 40% do salário mensal. A empresa tem 50 funcionários em Bauru e outros 90 em cidades da região, como Marília, Botucatu e Jaú.

“Hoje (ontem) pela manhã, marcamos uma reunião com a CPFL e a direção nos disse que já havia adiantado para a Coneplan o repasse de R$ 110 mil ontem (terça-feira) e mais R$ 40 mil hoje (ontem), para acertar a situação dos trabalhadores. Eles têm a posição de só retomar as atividades normais assim que o dinheiro cair na conta do banco”, afirma Matos.

O presidente do Sinergia, Jesus Garcia, completa que a entidade protocolou junto ao Ministério do Trabalho um pedido de fiscalização e intervenção da Coneplan. “Além da falta de condições de trabalho, a empresa ainda não pagou o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) referente ao período em que foi contratada pela CPFL”, ressalta.

Segundo Garcia, além do pagamento dos benefícios atrasados dos funcionários e da fiscalização, o Sinergia propõe também a suspensão imediata do contrato da CPFL com a Coneplan, por conta do atraso constante dos salários e da falta de condições adequadas de trabalho aos funcionários.

Os funcionários da Coneplan prestam serviços de manutenção e conservação da rede elétrica, e também são responsáveis pelo corte e religamento da energia dos consumidores. O presidente do Sinergia teme que a greve possa causar prejuízos à população, pois o consumidor que teve seu fornecimento de energia cortado terá dificuldades para conseguir o religamento. Ontem, o serviço foi realizado por funcionários da CPFL e a empresa garante que a população não foi prejudicada.

O digitador Camilo de Moraes Diegues relata que os benefícios dos funcionários da Coneplan vêm sendo pagos com atraso desde que a empresa passou a trabalhar como empreiteira da CPFL, há seis meses. “A cesta básica também atrasa todo mês. Chegou no limite, a gente não tem respaldo, não tem retorno da empresa. Faltam dois dias para o Natal, todo mundo aqui é pai de família e não pode dar um presente para sua família”, indigna-se.

De acordo com José Roberto Andrade, gerente de contas do poder público da CPFL-Bauru (que falou à reportagem em nome das duas empresas), a companhia tomou conhecimento do atraso nos pagamentos anteontem e tentou um acordo com a empresa terceirizada para a regularização. “Isso deve ocorrer entre hoje (ontem) e amanhã (hoje). Antecipamos alguns pagamentos para que o fornecedor cumpra com seus compromissos. A população não será afetada em nenhum momento”, conclui.

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