Turismo

Paraty

Eliane Barbosa com Agência Estado
| Tempo de leitura: 5 min

Se Cornélio Procópio é o local preferido por quem quer desfrutar a natureza sem ter que enfrentar águas geladas, Paraty é o paraíso dos mergulhadores e dos turistas que querem azaração em suas cachoeiras e mais de 300 praias, incluindo desertas na Vila de Trindade.

Localizada também na divisa com o Estado de São Paulo, mas no lado contrário do Paraná, no extremo sul do Estado do Rio de Janeiro, próxima de Ubatuba (SP), Paraty que é uma charmosa simbiose.

Neste final de ano está ainda mais agradável por conta dos corais de Natal e a queima de fogos que anunciam a proximidade de 2005.

O município de 917 km 2 une o verde abundante da Mata Atlântica e o azul marinho de praias paradisíacas à riqueza de seus monumentos históricos, formados por casarões do século 18 e igrejas centenárias.

É diversão para gostos variados. O turista à procura de praias conta com mais de 300, além de 65 ilhas.

Também não faltam opções para quem quer se aventurar em caminhadas ecológicas por trilhas e cachoeiras.

Mas os que buscam cultura, gastronomia de primeira, artesanato e o sossego de uma cidade litorânea são os maiores privilegiados.

Tudo isso está no centro histórico de Paraty, tombado pelo Instituto do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O conjunto arquitetônico do Brasil Colonial - considerado o mais bem conservado do País - é a principal atração do local.

Cercado por correntes, que impedem a passagem de carros, o centro abriga hoje uma infinidade de lojas de artesanato, pousadas, ótimos restaurantes e bares, todos instalados nos próprios casarões.

Pé-de-moleque

O calçamento de pedra, chamado de “pé-de-moleque”, e a depressão de meio fio, que permite a invasão da água do mar em marés de lua cheia, foram mantidos e exigem cuidado dos pedestres.

Nas fachadas das casas, os desenhos geométricos nos azulejos mostram a influência da maçonaria, que chegou a região no fim do século 18.

É também no Centro Histórico, próximo do cais do porto, que está a Igreja de Santa Rita, construída em 1722 - e restaurada em 1967 e 1976 -, considerada o principal cartão-postal da cidade.

O estilo barroco de sua fachada e seus suntuosos altares de madeira talhada fazem do santuário o mais valioso do município.

No acervo do Museu de Arte Sacra de Paraty localizado nas dependências da igreja, os destaques ficam por conta da prataria dos séculos 17 e 18.

Já na Praça da Matriz, cercada pelo conjunto arquitetônico colonial, está a Igreja Nossa Senhora dos Remédios (a padroeira de Paraty), ao redor da qual a cidade nasceu, em 1667. Além de abrigar as festas e os eventos mais importantes do município, a praça se transforma em ponto de encontro nos fins de semana - principalmente à noite - e a sua área reservada para estacionamento serve de vitrine para dezenas de artesãos, que lá expõem seus trabalhos em feirinhas de fim de semana.

Gastronomia e diversão

Outro palco frequente de eventos culturais na cidade é a Casa da Cultura, em um grande sobrado do século 19, na esquina das ruas Dr. Samuel Costa e Dona Geralda.

Hoje, o local passa por reformas e deve ser reaberto em janeiro. A Pinacoteca Marino Gouveia, que funcionava na casa, foi transferida para a antiga cadeia, ao lado da Igreja de Santa Rita, onde está o Instituto Histórico e Artístico de Paraty. Em seu acervo, obras de Benedito Calixto e Di Cavalcanti, entre outros.

A rica e diversificada gastronomia local é a atração obrigatória para qualquer turista - mesmo porque, estando no centro histórico, é muito difícil fugir dela. Restaurantes imperdíveis se espalham pelas vilas e são um ótimo programa para o fim de tarde.

Na Rua Dr. Samuel Costa, fica o Banana da Terra, cujo cardápio brinca variações da fruta, com pratos caiçaras.

No Refúgio, em frente do cais do porto, o destaque são os camarões, em especial o feito ao molho de mostarda.

A pinga de Paraty - cuja produção tem mais de 200 anos - é um evento á parte. Fabricada até hoje de maneira artesanal, com dornas de carvalho, fogo à lenha e alambiques de cobre, a bebida virou tema de um festival anual realizado no centro histórico.

O Festival da Pinga, criado pela Associação Comercial e Industrial de Paraty em 1983, foi incorporado à programação oficial de eventos elaborada pela Secretaria Municipal de Turismo e Cultura há 15 anos, atraindo milhares de turistas de várias partes do País. Ocorre todo o mês de agosto.

Atualmente, são seis os maiores fabricantes da bebida na cidade: Coqueiro, Corisco, Maré Alta, Murycana, Vamos Nessa e Itatinga.

A fama da aguardente é tão grande que já chegou à culinária local.

No restaurante casa do Fogo, na Rua do Comércio, a especialidade são os flambados na pinga de Paraty.

Trindade dos pescadores

Falar das praias de Paraty é falar de Trindade. Nesse pacato povoado de pescadores cercado de Mata Atlântica, a apenas 30 km do centro da cidade histórica, estão as praias mais bonitas da região.

O acesso ás praias é feito pelo chamado “Morro do Deus me Livre”, a partir do km 268 da Rodovia Rio-Santos. Apesar de hoje a estrada estar asfaltada, ainda requer cuidado do motorista. Por isso, uma dica é se hospedar em uma das pousadas de Paraty e seguir para lá somente quando o tempo estiver firme.

Há várias praias para serem curtidas, começando pela Cepilho, que reúne surfistas e grupos de jovens; à Praia do Meio e a do Rancho, ampla e com mar próprio para banho.

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