O vaivém de gente e malas, a correria das crianças, o mau humor dos bebês, além da espera, em alguns casos bem longa, não desanimaram parte das mais de 20 mil pessoas que passaram desde de segunda-feira pelo Terminal Rodoviário de Bauru. Pelo contrário, sob o olhar de muita gente, a correria impulsiona o clima natalino, só abalado quando a notícia do outro lado do guichê é a de que as passagens estão esgotadas para pelo menos cinco cidades.
Com a pecha de “marinheiros de primeira viagem”, algumas famílias aportam no terminal rodoviário sem cogitar possibilidade dos ônibus estarem lotados. É o caso de Maria Aparecida de Freitas, que esperava ontem à tarde, acompanhada por dois filhos, a partida do circular que a levaria para Ourinhos. O circular foi a opção contra a falta de bilhetes em ônibus convencionais.
“Gostaria de ter viajado pela manhã, mas não deu. Para as crianças, (a espera de quase duas horas) vira passeio”, comenta. Mais preocupado estava Júlio Alves, que enfrentou fila para comprar uma passagem para Cafelândia. “Trabalhei até meio-dia e vim direto (para a rodoviária). Agora estou com medo de não encontrar (passagem)”, admite.
Do outro lado do terminal, Marta Ruiz aguardava por mais de duas horas um ônibus para Gália. Ela chegou de Jundiaí no início da tarde de ontem e não encontrou horário para viajar mais cedo com o filho, visivelmente impaciente. “Tem o clima de Natal, mas é ruim ficar esperando. Passei por dez rodoviárias, está tudo esgotado”, garante.
A situação levou uma família de Porto Alegre (que preferiu ficar no anonimato) a mudar de planos e a improvisar o Natal pela região. Deve tomar a mesma providência quem ainda não comprou passagem para as principais cidades do País. Para Santos, por exemplo, os bilhetes só podem ser adquiridos a partir de segunda-feira.
Já para Curitiba, Brasília, Campo Grande e Belo Horizonte só há passagens a partir de amanhã, informa a assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), responsável pela administração do terminal rodoviário. Também não há passagens para o Rio de Janeiro no domingo.
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Correria
Se a correria é grande entre aqueles que disputam bilhetes para viajar, ela é ainda pior para quem está atrás dos balcões servindo passageiros. Desde segunda-feira, a rotina de Janaína de Moraes não lhe reserva momentos de folga, durante o expediente.
“Nesse período, o volume de clientes é três vezes maior que o normal. Temos que ser rápidas e ter muita paciência (com clientes impacientes)”, diz, ao deixar a labuta de servir cafés, sucos e salgados, numa cafeteria situada no terminal rodoviário.
Já para a proprietária de uma banca de jornais, Beatriz Blanco Anselmo, a época é de comemoração, pois as vendas aumentam em 70%. “Tem muita gente que deixa para comprar a lembrancinha aqui (antes de embarcar)”, garante. Apesar do aquecimento, ele é incomparável com os anos anteriores. É o que garante a sub-gerente de uma lanchonete do terminal rodoviário, Janice Aparecida da Silva.
“O pessoal deve estar usando o 13.º salário para pagar contas e olha lá. Aumentou bastante (o volume de clientes), mas não como antigamente”, afirma.
• Serviço
Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 0800-99459.