Polícia

Natal 'incha' o trânsito em 30%

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Militar (PM) de Bauru precisou deslocar parte de seu efetivo lotado em setores administrativos da corporação para reforçar o efetivo da Base de Trânsito em função do aumento do número de veículos em circulação na cidade, principalmente no entorno dos dois principais pólos comerciais da cidade - regiões do Calçadão da Batista de Carvalho e do Bauru Shopping. Neste último caso, a PM classifica como crítico o cruzamento da avenida Nações Unidas com a rua Eduardo Vergueiro de Lorena, cujo semáforo represa um grande número de veículos nos horários de pico.

A PM não possui estatísticas oficiais sobre esta alteração no fluxo de veículos, mas o tenente Fabiano Serpa, comandante da Base de Trânsito, acredita que a cidade vem registrando nesta época de compras natalinas um aumento de aproximadamente 30% na circulação de veículos nas regiões comerciais da cidade. Além desta concentração provocada pela corrida às compras, a PM ainda estima um acréscimo na frota local, calculada em 140,2 mil carros, de aproximadamente 10% de veículos vindos de cidades da região.

Por isso, na região central da cidade, não é raro motoristas perderem a paciência com os trechos de lentidão, os congestionamentos e a falta de vagas para estacionamento nas ruas. O dentista Fernando Toledo de Oliveira, 26 anos, pode até se considerar um privilegiado, pois ficou apenas dez minutos rodando pelas ruas centrais para encontrar uma vaga. Mesmo assim, classificou o trânsito como “complicado” e disse que pretendia concluir todas as suas compras de uma só vez, “para evitar novos transtornos”. “Quanto menos eu vier para a região central, melhor”, resume.

O tenente Serpa explica que, para enfrentar este crescimento no fluxo de carros da Base de Trânsito, que conta com 43 policiais, foi reforçada através de dois tipos de remanejamentos. Primeiro, parte dos policiais da própria Base teve seus horários alterados para que estejam nas ruas nos horários de pico, principalmente entre as 16h30 e 22h30.

Além disso, parte do efetivo lotado em setores administrativos da PM passou a fazer o trabalho de policiamento nas ruas. Serpa destaca que este remanejamento só não afetou o número de policiais que prestam serviço na Base de Trânsito, localizada na avenida Nações Unidas, embaixo do viaduto da Duque da Caxias. Como a unidade recebe e registra as ocorrências sem vítimas, Serpa acredita que qualquer desfalque poderia prejudicar o atendimento aos cidadãos.

Além do reforço no efetivo, a Base de Trânsito também intensificou as realização dos bloqueios, conhecidos popularmente como “comandos”. Serpa diz que, em média, são realizados cinco bloqueios por dia na cidade. Para ele, este tipo de ação possui dois objetivos: o preventivo, pois proporciona a visualização da ação ostensiva da PM, e o repressivo, com a fiscalização e autuação dos infratores.

“Ano ruim”

Apesar do grande número de veículos e pessoas que lotam a região central da cidade, setores que normalmente acabariam beneficiados com a situação - taxistas e estacionamentos particulares - reclamam do fraco movimento financeiro registrado neste ano. Para o taxista Júlio César Pedro, 33 anos e há dez na praça, o Natal deste ano é um dos piores dos últimos tempos para o setor.

“É um fracasso total. Parece que as pessoas pegaram o 13.º salário só para pagar as contas”, diz Pedro, que na noite de anteontem fez apenas duas corridas. Ele rejeita o argumento de que custo do serviço seja o motivo do fraco movimento. “Corridas para bairros próximos, como Bela Vista, Vila Cardia ou Vila Falcão ficam em menos de R$ 10,00. Fica mais barato e cômodo deixar o carro em casa para fazer as compras”, diz, referindo-se aos custos de um estacionamento particular.

Já os donos destes estacionamento também não vêem motivos para comemorar. Mesmo com o pátio totalmente lotado, o encarregado de um destes estabelecimentos, Sérgio Gonçalves Duarte, 38 anos, destaca que o forte movimento de clientes só está acontecendo nesta última semana das compras. “Os anos de 2002 e 2003 foram muito melhores para o setor. As pessoas estão gastando somente com o essencial”, avalia. Há quatro anos no ramo, Duarte reconhece que o aumento da concorrência também é um dos motivos para a queda no movimento no setor.

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