Politicando

O convite confirmado


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Eleição aguerrida, resultado retumbante e lá estava seu “cumpadre” comemorando a vitória como governador eleito.

A campanha não fora nada fácil, e fiel ao sentimento “cumpadrístico” ele não poupara seus esforços, seus sacrifícios e seu dinheiro, muito dinheiro, para ajudar a fazer do “cumpadre” governador. E deu certo!

Aí, na formação da equipe de governo, a coisa entornou de vez e o “cumpadre” viu-se cercado por adesistas, puxa-sacos, adversários e inimigos convertidos da noite para o dia em aliados, todos reivindicando um naco do poder que, na verdade, pertencia ao “cumpadre” e aos seus aliados e amigos de primeira hora, os verdadeiros heróis da conquista.

Pior era a especulação que a imprensa diariamente filtrava. Certo fulano vai ser secretário, outro fulano está cogitado para ser presidente de estatal, ninguém tira de sicrano o cargo de secretário. E por aí afora, em verdadeira afronta à lealdade. Quanto aos amigos de todas as horas, nenhuma especulação, nenhuma notícia, nenhum deles lembrado para nada. E o “cumpadre” governador eleito, quieto, fechado em copas, tudo acompanhando em silêncio.

Quando achou que a coisa já tinha passado do ponto, procurou o “cumpadre” na sua casa, bem cedinho, na hora em que o sol nascia e o primeiro café do dia era coado.

Pigarreou, tomou um longo gole de café e despejou toda sua frustração. Especulação ia, especulação vinha e nada dos amigos e companheiros de primeira hora serem lembrados para o novo governo. Frustração geral e particularmente no que se referia a ele, talvez o mais esforçado, o mais sacrificado e o que investira mais dinheiro. O “cumpadre” governador quieto, olhando com um olho para a caneca de café e com o outro para o sol que vinha raiando. Ouviu tudo e só depois falou.

- “Cumpadre”, você foi importantíssimo na minha vitória e sou muito grato. Muito mais grato do que você possa imaginar. E faço questão que todos saibam disso, principalmente esses adesistas e puxa-sacos que tanto me atormentam. Em que cargo você se sentiria recompensado por tudo que reconheço que lhe devo?

A resposta foi pronta.

- A “cumadre”, acha que devo ser secretário de governo, para ficarmos bem pertinho do “cumpadre” e da primeira dama, ajudando vocês dois nos muitos “abacaxis” do governo. E eu concordo e acho que ela tem razão.

- Pois bem, “cumpadre”, tudo sacramentado. Pode convocar a imprensa e quem mais você quiser e informar que você foi insistentemente convidado para ser secretário de governo. Eu confirmarei o convite e lamentarei, respeitando seus motivos, a sua recusa, forçando meu governo a começar meio enfraquecido com sua ausência.

Contada por José Fernando da Silva Lopes

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