Se você já resolveu viajar de moto para aproveitar as festas de final de ano, saiba que, assim como os automóveis, as motocicletas também precisam de um “trato” antes de encarar a estrada para que seu passeio não se transforme na “hora do pesadelo”. Para isso, pequenos cuidados mecânicos, muitos deles executados até em casa, e com a segurança na hora de rodar já são capazes de garantir “cuca fresca” durante a viagem.
“A checagem doméstica em itens básicos é capaz de evitar perda de rendimento, aumento do consumo de combustível e instabilidade durante a condução, além de aumentar a segurança”, enfatiza o piloto bauruense Marcel Sona Cardoso, que também é um dos proprietários de uma revenda de motos.
Desta forma, é fundamental ao proprietário da motocicleta inspecionar a calibragem dos pneus, o acionamento do afogador e, principalmente, as regulagens de freios e embreagens e o nível do óleo do motor. “É o que há de mais básico na manutenção preventiva”, ressalta Cardoso.
A pressão dos pneus deve ser verificada a cada 15 dias e, a exemplo dos automóveis, sempre com eles frios e sem ter rodado muito. Já o funcionamento do afogador pode tornar-se causa constante de falhas e consumo excessivo de combustível se o condutor não ficar atento. “Não é raro as pessoas esquecerem-no ligado após as partidas a frio”, alerta o piloto.
A embreagem e os freios também devem ser ajustados. A primeira não pode ficar alta - “enforcada” - ou baixa em demasia, pois o correto é encontrar uma posição intermediária. “Basta deixar o acionamento a cerca de três centímetros do guidão. Se ocorrer com cinco centímetros, estará enforcada e sua vida útil pode diminuir em até 50 %, além de aumentar o consumo e o desgaste do motor”, esclarece Cardoso.
Já para os freios, basta seguir a mesma lógica das embreagens: devem atuar no nível intermediário. Um bom ajuste propicia o acionamento do freio com a manopla a cerca de dois centímetros do guidão. Os demais cuidados com a moto, como a manutenção da corrente, do carburador, do filtro de ar e outros componentes mecânicos, devem ficar a cargo de estabelecimentos e profissionais especializados.
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Revisão na oficina
Mesmo com os cuidados adotados em casa, a prudência manda “internar” a moto em estabelecimentos especializados para uma revisão geral. Nessa hora, conforme orienta o mecânico Rivaldo Henrique, chefe de oficina de uma concessionária da cidade, é fundamental efetuar a inspeção de uma série de itens básicos para o eficiente funcionamento da motocicleta.
“Uma das primeiras providências é executar um reaperto geral de parafusos. O indicado é que profissionais especializados façam este serviço, pois somente estes saberão o torque adequado máximo a ser aplicado neles”, orienta Henrique. “É essencial, ainda, proceder a limpeza do carburador e a checagem do filtro de ar, das lonas e cubos de freio e a regulagem das válvulas”, acrescenta o mecânico.
O estado das velas também é outro item mandatório que não pode passar “batido”. Segundo Henrique, o dono da moto deve atentar-se para o período da última troca do componente. “Normalmente, elas devem ser substituídas entre 9 mil e 12 mil quilômetros percorridos, mas esse intervalo pode variar conforme o modelo da motocicleta”, esclarece.
Por último, mas não menos importante, Henrique recomenda observar a regulagem e a lubrificação da corrente. “Ela jamais pode trabalhar seca, pois isso gera atrito, desgaste e ruído excessivo, comprometendo o consumo e o rendimento”, alerta. E complementa: “Ela jamais deve atuar solta ou esticada em demasia. Daí a importância de se requerer seu ajuste correto.”