Mesmo que não percebam a influência que suas vidas exercem na rotina de uma comunidade, crianças moradoras de bairros de periferia de Bauru falam sobre suas experiências pessoais e contam o por quê de os dias de férias serem diferentes dos de período escolar.
Elas nem sempre notam que o fato de terem mais tempo para brincar em casa ou no bairro interfere na vida dos pais, de outros parentes e de vizinhos, entre outras pessoas.
Paulo César Constantino, 12 anos, morador do Jardim Ivone, confessa que prefere a tranqüilidade das férias à rotina das aulas.
“Eu brinco nas férias. Fica melhor porque a gente pode brincar por mais tempo. A gente brinca de bola, solta pipa, anda de bicicleta, treina futebol. Nas férias, dá para fazer um monte de coisas”, diz o garoto, enquanto joga futebol com seus colegas num campo improvisado em um terreno vazio do bairro.
Já o colega Alex Floriano, 14 anos, mora no mesmo bairro mas não tem todo o tempo de férias disponível para se divertir com os amigos do bairro. É que no período da tarde ele trabalha como catador de materiais recicláveis. Resta a ele as manhãs (quando não está na escola) e os fins de semana para as atividades de lazer. Durante o ano letivo, esses momentos são mais escassos.
“Nas férias, dá para ficar brincando. Mas eu também trabalho como catador, na parte da tarde. Aos fins de semana, dá para ficar jogando bola com a molecada”, conta.
Wenderson Henrique Moura, 14 anos, morador da Pousada da Esperança, explica que nas férias tem a oportunidade de ficar mais próximo aos seus pais.
“Muda bastante coisa. Nas férias, eu tenho mais convívio com meus pais. Quando a gente está estudando, os pais às vezes trabalham de noite. A gente chega e sai e não tem diálogo. Durante os dias normais, é difícil encontrar meus pais e eu sinto falta disso”, revela o estudante.
Ainda assim, ele prefere o período de aulas. “É mais importante para a gente aprender. Quando as férias estão acabando, a gente enjoa um pouco porque não tem nada para fazer. E na escola tem distração”, justifica.
Andressa Maria Pícolo Cardoso, 6 anos, moradora da Pousada da Esperança, também coloca na balança as brincadeiras das férias, de um lado, e as atividades escolares, de outro. O resultado é um empate.
“Eu gosto das férias e das aulas. Na escola, a gente aprende, a professora é legal, meus amiguinhos são legais, todo mundo é legal”, destaca.
Durante as férias, a rotina da menina muda totalmente. “Eu brinco com as minhas amigas de pega-pega, de boneca, de esconde-esconde, de escolinha”, diz.
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Escola da Família
Em bairros em que é gritante a falta de infra-estrutura e de equipamentos de lazer para as crianças, muitas mães afirmam que o Programa Escola da Família é a única opção para seus filhos. A população, entretanto, não poderá contar com essa alternativa de lazer durante todo o período de férias já que as escolas estaduais terão dias de recesso.
Através do programa, a população pode usufruir de atividades esportivas e de lazer nas escolas estaduais de cada bairro, aos fins de semana.
Dia 19 foi o último dia em que 49 unidades da rede estadual estiveram abertas para receber a comunidade através do Programa Escola da Família. As escolas serão reabertas para as atividades de lazer a partir do dia 15 de janeiro.
A dirigente estadual de Ensino, Vera Jarussi, explica que todos os funcionários estarão em recesso escolar do dia 23 de dezembro ao dia 1.º de janeiro.
“Agora em dezembro é recesso porque a escola fecha. Temos de dar recesso aos funcionários”, argumenta a titular da Diretoria Regional de Ensino.
Nas duas primeiras semanas do ano, haverá reuniões de planejamento das atividades do Programa Escola da Família.
“Estamos com uma série de idéias para o programa. Tivemos um fórum em que todas as diretorias expuseram suas idéias do que é positivo e negativo no Escola da Família e queremos aproveitar muitas delas. Vamos reprogramar as atividades”, afirma.
“Fizemos uma avaliação das atividades que não funcionam em determinada escola e em determinado horário. Algumas coisas vamos reformular, outras vamos incentivar e ampliar para outras escolas. Vamos tentar implantar coisas superbacanas que vimos por aí. Ou seja, vamos fazer um planejamento aquilo que deu certo e daquilo que pode mudar”, acrescenta Vera.
Cerca de 52 mil alunos das escolas estaduais estão em férias e voltam às aulas no dia 14 de fevereiro.