O Brasil é o segundo maior produtor de mandioca do mundo. Foi o responsável pela produção de 22,2 milhões de toneladas (11,6% da produção mundial), de acordo com a Food And Agriculture Organization. O Nordeste é a região brasileira que mais produziu mandioca no ano de 2004, 8,9 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o mesmo instituto, a região Sul ocupa a terceira colocação em 2004, com 5 milhões de toneladas, 20,8% superior ao ano de 2003. O levantamento aponta uma diminuição da fatia pertencente à região Nordeste a partir de 1991, enquanto que as regiões Norte e Sul apresentam crescimento na participação da produção nacional de mandioca a partir do início da década de 90, tendendo à estabilização.
De olho num mercado promissor, a longo prazo, agricultores da região de Bauru investem pesado no plantio, substituindo plantações de café por mandioca.
O crescimento do mercado, com a descoberta de novos usos para o amido de mandioca, tem incentivado os agricultores da pecuária a transformar grandes pastos em plantação de mandioca.
O presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região, Maurício Lima Verde, confirma a erradicação dos cafezais. “O café, que na nossa região tinha potencial muito grande e uma produção substancial, vem sendo substituído por plantações de mandioca.”
Segundo ele, a situação está ocorrendo há quatro anos. Ele explica que os agricultores optam pelo cultivo da mandioca porque é uma cultura razoavelmente simples, que não exige grandes investimentos e com um mercado em expansão. “Os agricultores precisam de alternativas. A mandioca é uma delas.”
Mas para que o agronegócio ganhe espaço é preciso que as prefeituras consigam atrair empresas como farinheiras e fecularias. “O foco do agronegócio é a mandioca industrial. A expansão desse mercado depende de empresas ou de cooperativas que tem que seguir paralelamente.”
Lima Verde acrescenta que a demanda está aumentando muito com o resultado de novas pesquisas. “Há pesquisas do uso da mandioca no processo de bio-diesel. O amido da mandioca é usado na confecção de mortadela, presunto, pão de queijo etc.”
____________________
Estabilidade
Na opinião do presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região, Maurício Lima Verde, os altos e baixos no preço da mandioca industrial é provocado pela falta de consumidor permanente. “Se tiver uma indústria que use a mandioca como matéria-prima na região e que suporte a produção, os produtores ficam mais seguros em plantar. Mas o que está acontecendo é que um ano eles plantam, no outro não, porque têm que vender para prepostos que comercializam com as empresas.”
Para ele, o cultivo da mandioca não pode ser pontual. “As plantações pontuais não levam ao desenvolvimento do agronegócio em nossa região. Bauru tem 70% de área rural, mal aproveitada. Se tivesse uma indústria, teríamos uma plantação permanente.”