E eis que chega o Natal! É o momento mais esfuziante do ano. A alegria reina em alguns lares, amizades que se renovam, amores que fazem juras eternas, correspondências cruzam os céus, encontros e festas são marcados, presentes são trocados e tudo isto graças a quê? Ao Natal, lógico! A felicidade se expande de maneira generalizada, o momento é realmente de afetividade, de demonstração de carinho, de afeto, de perdão, de ternura e de amor ao próximo. Pena que tudo não passe de uma egolatria desmesurada do ser humano.
O aniversariante, por sua vez, em meio ao turbilhão que se forma em volta do comércio, do progresso do “se dar bem a qualquer custo“, do cinismo e egoísmo do homem, é o último a ser lembrado, nesta patuscada de falsa festa natalina. Bem antes do dezembro, lojas e departamentos abastecem seus estoques com mercadorias, vezes até de duvidosa procedência, numa correria louca, incessantemente, anunciam seus produtos em rádio e televisão, visando apenas ao lucro certo com suas ofertas traiçoeiras de perus, enfeites natalinos, brinquedos e presentes para um povo de fácil manipulação e obcecado pelo consumismo exagerado, mesmo em épocas tão “magras”. E ELE, o Cristo?
Com certeza não compactua com todo este teatro. Deve estar preocupado demais com o rumo que a Terra está tomando. Deve chorar pelos que não têm um pedaço de pão, pelos órfãos das guerras inúteis, pelos que dormem ao relento, pelos que catam seu sustento nos lixões das grandes cidades, pelas mães abandonadas, pelos milhoes de desempregados, pelas crianças prostituídas, por essa máquina assassina chamada homem. Deve estar decepcionado pelos que detêm o poder nas mãos, muitos, usurpadores que usufruem de seus postos de chefes e massacram com mãos de ferro a seus súditos.
Como pode ELE se encontrar feliz com o acréscimo de homicídios, o terrorismo, os atentados, os furtos, os roubos, os seqüestros, os estupros, os abortos, pais e filhos se matando, a barbárie dos traficantes em nossas favelas, os campos de futebol virando arena de combate entre jovens, o abuso do sexo, a sodomia, as medidas provisórias e o salário mínimo dos brasileiros? A fome de 38 milhoes de irmãos nossos, rios que estão secando pelo assoreamento constante, regiões desérticas pelas queimadas inconseqüentes, mortandade de peixes, extinção de aves e animais pelo desequilíbrio ecológico provenientes da ação impiedosa e devastadora do homem. Quantas crianças fora da escola, quantas aprisionadas, quantas assassinadas, quantas abortadas!
Quantos idosos desprezados nos asilos da vida! Quantos enfermos! Quanto peru recheado para tão poucos e quantos sem um ovo para servir aos filhos! E então, é Natal! E tem mais, Jesus Cristo! Da noite do dia 24 para 25, ficamos todos preocupados com nossas festas, nossos convidados, nossos encontros, nossas orgias e possivelmente tenhamos ficado bêbados e aí é pedir demais para que em meio a tantas festividades a gente vá se lembrar de lhe dar os parabéns, não é mesmo? No dia 25, cheios de ressaca, possivelmente não iremos nos lembrar do porquê de toda esta comemoração desregrada, mas com toda certeza vamos nos lembrar de Ti para reclamar e dizer: Ai, Jesus, que dor de cabeça!!!
Então, é Natal!!! Boas Festas, caro leitor, e aproveite para refletir um pouco sobre o aniversariante!
Carlos Cardoso - radialista, escritor e poeta