Tribuna do Leitor

Ponham os botequineiros na linha


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Reportando-nos à triste notícia publicada por este conceituado jornal, de que a Rede Ferroviária Federal não mais utilizará suas antigas e históricas estações, a ponto de oferecê-las às prefeituras, pesarosamente expressamos os nossos sentimentos e propomos o seguinte: se de fato não mais será utilizada por persistirem em não mais transportar passageiros, que a prefeitura enxugue nossas lágrimas transformando aquele monumental prédio em bares noturnos.

Pelo amor de Deus, chega, chega de importunar os indefesos moradores, a quem Bauru muito deve, com instalações de bares noturnos nas imediações de nossas residências.

A impressão que se tem é de que a Seplan está sendo cabresteada pelos donos dos botecos. Os mesmos tornaram-se donos de nossas ruas, das nossas calçadas e dos nossos domicílios. Acabaram com o nosso sossego e com o nosso bem-estar.

Não mais temos condições para dialogar em família, não mais temos condições para ouvir uma das nossas músicas, não mais temos condições para atender aos telefonemas e muito menos para conciliar o tão necessário sono. Não temos condições para mais nada, nem mesmo para transitarmos pelas calçadas e, quando reclamamos, nos chamam de neuróticos.

A referida estação é excessivamente grande, está entre uma praça e uma esplanada de mais de 500 metros de largura por mais de quilômetros de comprimento, esplanada essa completamente desprovida de moradias, sendo que só a estação possui do lado da esplanada, duas imensas plataformas de mais de 10 metros de largura por mais de 100 metros de comprimento, cabendo, em cada uma delas, mais de 1.000 perturbadores da noite, devidamente acomodados, e, se necessário for, mais de 200 mil poderão ser acomodados na mencionada esplanada, juntamente com centenas e centenas de carros.

Não venham com argumentações de corredores comerciais e coisas mais. Bar não é comércio, é baderna. Logo, se nas proximidades do corredor houver uma única residência, o bar não poderá ser instalado. A Lei do Silêncio deve estar acima de toda argumentação.

Bauru necessita de indústrias e não de botecos. Necessita de empregos para os trabalhadores, de sossego para os moradores e do imediato fechamento desses malditos bares noturnos que, além de serem os precursores dos mais variados crimes, cada vez mais vêm degenerando os jovens, separando os matrimoniados, incrementando a prostituição e acabando com as famílias legitimamente constituídas.

Pelos honrados e dinâmicos trabalhadores de Bauru, os nossos sinceros agradecimentos.

Etelvino José Gonçalves - RG 8.297.583

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