Saúde

Ideal é fazer reeducação alimentar

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Fazer uma dieta desintoxicante alguns dias após uma ceia de Natal pode ser uma solução para pessoas que estão com peso em ordem e abusaram um pouco do garfo na festa. Mas o corte radical de alimentos proposto neste tipo de cardápio não resolve o problema se o excesso de peso grande, pois isso estimula o chamado efeito sanfona ou ioiô. Ou seja, a pessoa até perde alguns quilos rapidamente, mas tende recuperá-los tão logo retome a alimentação normal.

Se a intenção é reduzir peso, a recomendação dos médicos é que se faça uma reeducação alimentar. O método significa, na verdade, aprender comer corretamente sem ter de eliminar nenhum alimento do cardápio. Todos os alimentos são permitidos, desde que ingeridos com moderação.

A reeducação alimentar pode ser aplicada de diferentes maneiras - cardápios pré-definidos, contagem de pontos, contagem de calorias. Todas, no fim, se baseiam no princípio de controlar a quantidade de calorias consumidas diariamente.

De acordo com a endocrinologista Valéria Cunha Campos Guimarães, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia Metabologia (Sbem), a média considerada ideal para uma pessoa normal, de estatura mediana e atividade física moderada é de 2 mil calorias por dia. O mínimo que se pode consumir são 1,2 mil calorias.

Com base nisso, os médicos indicam a quantidade ideal de acordo com cada pessoa, considerando estatura, idade, doenças pré-existentes e nível de atividade física.

Um dos mais conhecidos e antigos programas a seguir esse princípio é o Vigilantes do Peso. Nele, são feitas reuniões periódicas e as pessoas aprendem a comer de maneira certa e nos horários adequados.

Há também a dieta dos pontos, criada pelo professor Alfredo Halpern, chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. O método atribui pontos a cada categoria de alimentos. Cada pessoa monta suas refeições misturando alimentos de todos os grupos, tendo o cuidado de não ultrapassar o número de pontos permitido.

“A dieta ideal, para ser duradoura, é aquela em que se pode comer de tudo, sem restrições. Na verdade pode-se comer o que se quer, mas não quanto se quer. O segredo é controlar as quantidades, não passar fome, nem vontade”, sinaliza Halpern.

Segundo ele, nenhum tipo de dieta radical pode ser duradoura. “Ou a pessoa fica doente ou não agüenta seguir”, comenta ele, que acaba de lançar um livro com seu programa de reeducação alimentar - A Dieta dos Pontos.

"O princípio é o seguinte: anotando o que come, a pessoa cria uma lógica (matemática) e a comida deixa de ser algo emocional. Quando se presta atenção no que se come, se come melhor”, garante.

Comparações

Ao comparar as dietas radicais e a dieta balanceada proposta pela reeducação alimentar, Halpern e Cristina Barreto apontam por que uma a segunda é a melhor opção.

Segundo eles, nas dietas muito restritivas, a pessoa perde muitas vitaminas e minerais. Pode desenvolver um quadro anêmico, pode desidratar, pode ter alterações nas funções cerebrais pela falta de carboidratos e pode ter fraqueza física.

A dieta balanceada, ao contrário, equilibra as quantidades de nutrientes ingeridos diariamente. A pessoa fica mais disposta, o organismo fica mais resistente às doenças, as funções cardíacas melhoram e a pessoa adquire um hábito que permite a manutenção do peso saudável por toda a vida.

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