Economia & Negócios

Contratar pode impulsionar negócios

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

A opção por não contratar pode ser a melhor solução para o corte de custos no curto prazo. Porém, o pequeno empresário tem que tomar cuidado na contenção da mão-de-obra, na hipótese de ser uma decisão apenas para reduzir custos.

O economista e consultor organizacional e especializado em pequenas e médias empresas, Adriano Fabri, entende que há outros mecanismos do que simplesmente deixar de contratar. Ele entende que ao deixar de ter mão-de-obra a empresa pode correr o risco de estagnar, pois o empreendedor não analisou, ou não se cercou de subsídios, para perceber que um funcionário bem preparado pode trazer benefícios, na medida em que impulsiona a receita da empresa com sua produtividade.

Um subsídio fundamental é saber que uma pequena empresa que adote o regime Simples Federal acaba tendo alívio nos encargos. Fabris lista que a empresa no Simples tem que recolher 8% de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), paga férias, abono de férias (33% sobre o valor das férias) e 13.º salário. “Tudo isso representa cerca de 30% do valor que o empresário paga para o funcionário. O paradigma de que um funcionário, necessariamente, custa o dobro para a empresa não é verdadeiro, desde que a empresa esteja enquadrada num regime fiscal adequado ao seu tamanho”, ressalta Fabris.

Outro problema apontado pelo consultor é a contratação que privilegia o funcionário barato na esperança de adaptá-lo ao cargo. O lógico seria contratar um profissional com o perfil adequado ao cargo, e não adaptar a função à pessoa que se contratou.

Fabris considera que nem sempre o funcionário barato trará a mesma produtividade de um com o perfil para o cargo.

Ele também acredita que muitos empresários avaliam erroneamente a relação salário/benefício. “Não existe salário alto. Existe funcionário caro”, avalia.

Muito comum também são os casos em que a contratação, preferencialmente, recai a favor de um parente. Fabris ressalta que as questões da empresa familiar envolvem a noção de que o empreendimento tem que ser profissional. Conforme o consultor, as empresas têm que dar preferência para empregados com perfil para os cargos, o que não impede a contratação de um parente que atenda os requisitos para a função. “Se o parente tiver o perfil profissional, ele saberá separar o fato de pertencer à família e também ser empregado. O familiar que não tem perfil do cargo e da empresa é melhor que não seja contratado”, indica Fabris.

Ele comenta que é extremamente importante que o empresário tenha a consciência do planejamento e controle financeiro do seu empreendimento.

Um estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que 59% dos negócios que abrem, fecham as portas em cinco anos. Uma das causas apontadas pela pesquisa é a falta de planejamento e controle financeiro e de marketing.

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‘De pai para filho’

Arlindo Thomazi possui uma relojoaria em Bauru desde 10 de fevereiro de 1967. O primeiro endereço foi em frente à praça Rui Barbosa, depois foi para a rua Treze de Maio, onde funcionou por dez anos e, há cerca de 20 anos, a loja está na rua Rio Branco. Nestes quase 40 anos de funcionamento, muita gente trabalhou na empresa e, em determinado período, podia se ver três funcionários trabalhando ao lado dos proprietários Arlindo Thomazi e do seu filho Éder.

Hoje, a situação não permite contratações porque o tipo de negócio teve grande aumento de custos e a concorrência ampliou. Éder conta que, há sete anos, por uma revisão em um relógio cobrava-se R$ 20,00. Atualmente, o valor pelo mesmo serviço está na faixa dos R$ 25,00, praticamente sem ser reajustado. Além das mudanças no mercado, os proprietários optaram por se manter “sozinhos” na condução da loja devido aos altos custos com a manutenção de um funcionário. Éder explica que um empregado registrado custa praticamente o dobro de seu salário.

Em determinados momentos, o atendimento na loja aperta, mas a experiência que pai e filho possuem compensa a falta de ajuda. Na hora do almoço, Thomazi e o filho se revezam para que a loja não fique fechada. Éder acredita que se uma pessoa, sem a experiência dele e a do pai, abrisse uma empresa com a dinâmica da relojoaria não conseguiria tocar o negócio sozinho. A empresa faz consertos de relógios, confecção de jóias e venda de produtos.

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