Economia & Negócios

Impostos levam a terceirização e informalidade

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

O mecânico José Roberval Mariano Pinto é o típico microempresário que a elevada tributação trabalhista obrigou a trabalhar “sozinho”. Porém, não são todos os ramos de prestação de serviços que conseguem sobreviver e ainda oferecer um atendimento de qualidade apenas com uma pessoa atuando.

Mariano encontrou um “jeitinho” para não ser obrigado a recusar trabalho. Em alguns momentos em que o volume de serviço aumenta e a fila de automóveis na oficina cresce, ele aciona mecânicos de fora, que podem trabalhar durante horas ou mesmo dias, dependendo da situação. Essa é a forma que Mariano encontrou para manter a oficina mecânica sempre cheia, com a terceirização de alguns serviços.

Com firma regularizada, ele conta que já teve funcionários contratados. Porém, rapidamente percebeu que não compensava pelo giro financeiro pequeno de seu negócio e o alto custo para manter um empregado. Na ativa como mecânico há cerca de 28 anos, está acostumado a fazer hora extra quando o serviço acumula.

Outro exemplo de microempresário que para sobreviver buscou alternativas à contratação é o comerciante José Luiz de Souza.

De uma situação de empresa formal, ele migrou para a informalidade e está acostumado com a nova condição. Souza e sua esposa Maria Cecília produzem e comercializam para o varejo bolsas e necessaires há cinco anos. O empresário também atribui aos custos com os encargos o fato de seguir o caminho da informalidade, mesma opção de sobrevivência de milhares de pequenos empresários brasileiros. “O Estado morde uma fatia muito grande. Enquanto não mudar, não anima a abrir empresa e contratar. Seria mais prático ter o pessoal (funcionários) comigo”, revela Souza. Ele também terceiriza a produção ao invés de contratar funcionários. Em determinados períodos, como os que atecedem datas festivas (Natal e Dia das Mães), a demanda por seu produto aumenta. Sua produção “caseira” está dimensionada para produzir até um certo limite.

Na época em que o trabalho aumenta a alternativa para atender os pedidos é a terceirização do trabalho. Souza aciona três costureiras treinadas por ele para o tipo de produto. Contratação formal é inviável, pois acarreta custos que poderiam tornar seu preço ao varejo menos competitivo. Entretanto, ele vê vantagens para o pessoal terceirizado, que ganha por produção. Souza argumenta que as costureiras conseguem ganhar por mês até o dobro do que se pagaria para uma profissional contratada legalmente. A venda é sazonal mas a produção não pára. Ele e a esposa compram em São Paulo o material no atacado, o casal corta e produz os modelos, sempre seguindo a tendência da moda. Souza conta que o faturamento médio da empresa é de R$ 3 mil por mês. No pico de venda, esse valor triplica. Na época do Natal a demanda por seus produtos aumenta. Na quinta-feira, Souza saiu com seu veículo carregado para atender aos pedidos de clientes das cidades da região.

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