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Novo ano: é hora de rever a carreira

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

O final de ano pode ser o momento ideal para repensar a carreira profissional em busca de novas oportunidades. Quando o profissional deseja ascensão, duas situações são inevitáveis. Uma é como estar preparado para ocupar um novo cargo na estrutura empresarial, e a outra é trocar de emprego. O candidato a mudanças precisa estar completamente ciente do passo que vai dar e sintonizado com as exigências do mercado de trabalho.

A gerente de uma empresa de RH de Bauru, psicóloga Gabriela Afonso Casério, alerta para a síndrome do domingo à noite. No instante em que levantar às segundas-feiras para trabalhar torna-se um fardo é preciso repensar a vida profissional. “Quando o domingo à noite passa a ser o pior dia da semana. A partir do momento que se repete a sensação de ‘ah, lá vem mais uma semana’. Temos que sair antes que tudo isso aconteça”, explica.

Casério lembra que as pessoas que têm sucesso na carreira são as que fazem aquilo que gostam. Um indicador de que as coisas vão mal no campo profissional é o sujeito estar durante muito tempo introspectivo.

Se a decisão é trocar de emprego ou até mesmo de profissão é preciso se mexer para criar uma situação de mudança, já que não adianta ficar esperando o dia exato chegar. A primeira e fundamental medida é se abrir para o mundo à sua volta, retomando vínculos de relacionamento, convivendo com a comunidade da igreja, do clube e vizinhos.

Ela conta que mudar de carreira é bom para quem gosta de novos desafios. Mas o histórico profissional conta muito na avaliação e deve-se ter claro que voltar pode ser complicado. “O mercado exige um padrão estabelecido. Têm pessoas que chegam aqui com 30 anos e três profissões. Dependendo do tempo em que a pessoa ficou numa outra opção, fica difícil voltar para a primeira”, esclarece.

Quem pretende ascender na firma em que trabalha deve adotar uma postura oportunista no bom sentido, ou seja, aproveitar as oportunidades para sair na frente.

Quando a empresa já tem suas posições consolidadas, a consultora indica a necessidade de rever sua condição de relacionamento com os colegas para conseguir furar eventuais bloqueios que impeçam sua participação em novos projetos. Casério sugere que se cultive sempre um relacionamento profissional saudável e que se converse com pessoas de confiança no emprego. “Quando existe bom relacionamento, você consegue ser lembrado para novos projetos e daí as chances acabam surgindo. Os grandes motivos de demissão têm como base o relacionamento. Nunca vi um período como este, com as empresas buscando pessoas autênticas”, revela.

A coordenadora de pessoal Marilin Lopes da Silva explica que o profissional que apenas aguarda que a empresa invista em seu aprimoramento e, por isso, se acomoda, pode ser surpreendido a qualquer momento com uma novidade desagradável para suas pretensões de crescimento.

Para mexer com os funcionários, uma das estratégias do mundo corporativo é trazer de fora alguém mais preparado para suprir as necessidades que o pessoal da “casa” não está qualificado. Ela conta que poucas empresas investem nos funcionários. “Observamos que os profissionais procuram investir em cursos e pesquisa com recursos próprios. Se isso vai reverter para a empresa em que se está, ou se vai ajudar para uma nova colocação, os horizontes estão abertos”, esclarece.

Silva ressalta que é comum a empresa precisar de alguém que tenha conhecimento e no seu quadro funcional só encontrar pessoas que têm informação. Este é um fator que limita a ascensão no trabalho. “Tem muita gente que tem informação mas não sabe trabalhar. Falta conhecimento. Quando vai para dentro da empresa, ocorre que ela só tem a mera informação”, contextualiza.

Ela defende que se o profissional concluir que seus horizontes estão esgotados e que, daqui para frente, não terá oportunidades de crescimento onde trabalha, é o momento para a mudança. Na procura por uma nova colocação deve-se estar preparado para um cenário em que as empresas dão prioridade para profissionais preparados.

Ao decidir pela troca de emprego, a consultora organizacional Regina Maura Pereira Torres sugere o planejamento de carreira. A pessoa que está empregada mas busca uma nova oportunidade deve planejar a transição.

Um dos motivos citados pela consultora é a demora em arrumar uma nova colocação. “O crescimento da economia existe, mas ainda é pouco para aumentar o número de vagas qualificadas”, explica.

Torres esclarece que a primeira medida é fazer uma reflexão profunda da vida profissional, que servirá, na etapa seguinte, como subsídio para um currículo com todas as experiências. O segundo passo é o da escolha da área em que se vai atuar, para então se montar um currículo direcionado. No terceiro momento se faz um planejamento financeiro prevendo alguma eventualidade, como o cancelamento da vaga pretendida. Nesta etapa, também se avalia a necessidade do profissional fazer cursos de atualização que vão torná-lo mais competitivo.

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