Sempre prestei atenção naqueles que exercem o papel de filisteus moralmente indignados e a minha caneta não tem pena e nem perdoa o falso moralismo de donzelas pudicas “ultrajadas” pelos possíveis escárnios de certas realidades. Aquele que se deixa seduzir pelo fascínio do preconceito, ou demasiadamente rápido se arvora em pseudoguardião da ética comportamental ou fica paralisado pelo sortilégio do disfarce e passa a não aceitar as provocações das novas idéias ou mudanças.
A TV Globo realizou uma pesquisa qualitativa na semana passada quando mostrou que o público brasileiro, embora com certo comedimento, aprovou o casal homossexual protagonizado por Eleonora e Jenifer, em “Senhora do Destino”. Tal pesquisa nos traz duas análises: primeiramente, é que a sociedade brasileira começou a aceitar a individualidade política, social, religiosa e sexual das pessoas desde que não traga prejuízos a terceiros. E isto é um belíssimo avanço para a democracia e a convivência harmônica dentro da nação.
Em segundo, a pesquisa comprovou que há certo tipo de comedimento. Ou seja, a mesma sociedade que não está discriminando os homossexuais, não abre mão da célula principal que é a família. E a maioria dos pesquisados se declaram heterossexuais e com nenhuma vontade de conhecer ou participar do outro lado. Tais dados servem para alertar alguns ativistas das minorias que para exercerem o sagrado direito da inclusão e da compreensão nem sempre é preciso ofuscar a maioria.
Alguém poderia contra-argumentar ao afirmar que é contraditório a sociedade dizer que valoriza mais a família e ao mesmo tempo aumentar o crescimento dos divórcios e separações. Eu responderia que tais dados não significam o início do fim da família e sim a libertação justa das mulheres da brutalidade machista imposta dentro dos lares. E o fato dos divórcios e separações serem pedidos em 77% pelas mulheres ajuda minha tese.
As novelas brasileiras, ao trazerem à tona alguns tabus da nossa sociedade, dão uma importante contribuição para a discussão salutar e a racionalidade coletiva. E também servem de parâmetro para alguns grupos da sociedade direcionarem a forma de luta de suas justas ou não justas reivindicações.
PS - A solidariedade advinda do Natal pode até parecer hipócrita, mas resgata a percepção e o sentimento de que existem aqueles em piores condições de vida. Antes no Natal do que nunca. E neste dia me lembro de frei Beto, dom Casaldáliga, frei Leonardo Boff e dom Evaristo Arns.
Pedro Valentim - RG 19.198.011-0