Política

Série Vereadores Eleitos: Madureira quer legislar com a razão

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Há 12 anos na Câmara Municipal, o vereador reeleito Paulo Madureira (PP) iniciará a partir de janeiro seu quarto mandato parlamentar consecutivo. Ele pretende utilizar a experiência adquirida ao longo desse período para tomar suas decisões baseado apenas na razão, evitando assim que a emoção possa falar mais alto.

“Nos primeiros mandatos, você entra pensando que pode mudar tudo, mas depois percebe que é preciso conversar com muita gente e que não há uma verdade única. As opiniões necessitam do respaldo da maioria dos vereadores para que seus projetos possam se tornar leis”, argumenta.

Apesar do tempo de Casa, ele admite que ainda sente um frio na barriga antes da cerimônia de posse. “Quanto mais tempo você fica dentro da Câmara, maior é a responsabilidade”, justifica.

Madureira, que recebeu 1.771 votos nas eleições de outubro, acredita que cada mandato tem suas peculiaridades e, por isso, é praticamente impossível traçar paralelos entre eles. “A realidade da cidade em 1993 era diferente da atual. Os projetos apresentados naquela época talvez não satisfaçam mais como antigamente. O meio-ambiente, por exemplo, era bem menos falado do que é hoje”, destaca.

Ele avalia que os processos de cassação de vereadores e prefeitos foram os momentos mais difíceis que viveu no Poder Legislativo. “É complicado ter o papel de juiz diante de pessoas que convivem com você no mesmo ambiente de trabalho. Temos o dever de desempenhar aquela tarefa, mas não estamos 100% preparados para decidir a vida de um ser humano”, diz.

O parlamentar sugere, inclusive, que essa atribuição seja revista. “Caberia ao vereador apurar os fatos. Após a investigação, o Ministério Público e os juízes decidiriam o destino dessas pessoas”, propõe.

Ele está otimista em relação ao grupo de vereadores eleitos para a próxima legislatura, mas afirma que cobrará empenho por parte dos colegas. “Entendo que o mais importante para o parlamentar é a vontade de trabalhar. A pessoa não pode estar na Câmara pensando em se candidatar a deputado. Ela precisa traçar uma linha de atuação voltada apenas às questões do Legislativo”, opina.

Madureira afirma que sua prioridade será lutar pela transformação do estádio Luiz Edmundo Coube em um centro esportivo e cultural. “Ele seria o primeiro de uma série de quatro dispositivos de lazer destinados à população. As benfeitorias seriam construídas com dinheiro da iniciativa privada”, declara.

Segundo ele, o objetivo é permitir que as próprias lideranças comunitárias administrem as escolinhas do centro esportivo. “A prefeitura seria apenas a mantenedora. Cada presidente de associação de moradores ficaria responsável por uma determinada modalidade. Os usuários pagariam R$ 5,00 por mês para custear os funcionários e a manutenção”, projeta.

Mesmo tendo apoiado o candidato Caio Coube (PSDB) na disputa pelo Palácio das Cerejeiras, o vereador afirma que pretende ter uma relação amistosa com o prefeito eleito Tuga Angerami (PDT). “Meu objetivo é sempre colaborar com a cidade. Não vou carimbar todos os seus despachos, mas minha intenção é trabalhar junto ele. Só fiz oposição ao governo Nilson Costa (sem partido) porque ele mesmo provocou essa situação”, pondera.

Para Madureira, as desigualdades sociais diminuíram no País ao longo dos últimos anos. “Ainda há expoentes em ambos os lados e irá demorar muito tempo até que haja uma aproximação mais efetiva, mas estamos no caminho certo para que isso ocorra. Acredito que o salário dos pedreiros chegará mais perto daquilo que ganham os engenheiros, por exemplo”, projeta.

Integrante da escola de samba Cartola há 28 anos, ele conta que seu interesse pela política teve início quando foi diretor da agremiação. “Uma camada mais necessitada da comunidade pedia para que eu resolvesse alguns problemas junto à prefeitura. Quando a cobrança pela minha candidatura cresceu, decidi ser candidato e me elegi logo na primeira vez”, relata.

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