Política

Dudu avalia seus 23 dias de governo

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Os 23 dias que ficou sentado na mais importante cadeira da cidade - a de prefeito - desiludiram Dudu Ranieri em relação ao cargo. Empossado na função no dia 20 de setembro do ano passado, logo após a cassação do mandato de Nilson Costa (sem partido), Dudu encontrou uma prefeitura amarrada a dívidas. Além dessa situação caótica, ele teve dificuldades para montar sua equipe de secretários.

A dois dias do vencimento de seu mandato de vice-prefeito, o pefelista também mostra que ficou assustado com a corrida de centenas de pessoas interessados em cargos de confiança. “Assumimos a prefeitura de forma traumática. Desconhecia que a administração não tinha recursos para fazer face as depesas. E nem a cidade sabia. Quem denunciou essa falta de recursos fomos nós”, relata.

Ele lembra que não havia dinheiro nem mesmo para pagar a folha de servidores públicos municipais. “Isso me chocou terrivelmente. Confesso que foram 23 dias traumáticos. Não conseguia dormir. Era pressionado de todas as formas. Por prestadoras de serviços que queriam receber e por pessoas que queriam arrumar emprego”, conta.

Dudu assegura que mesmo depois que deixou o cargo, após manifestação da Justiça favorável a Nilson, a lembrança do quadro crítico encontrado na prefeitura permaneceu por vários dias. “Mesmo há pouco tempo, quando se avizinhou a eleição municipal, cheguei a conclusão de que não valeria a pena disputar o cargo”, garante.

Sem dinheiro para investimentos, o vice-prefeito procurou os governos estadual e federal. Das visitas que fez, uma deu resultado positivo. Foi que a possibilitou a parceria entre o Estado e o município para a duplicação da avenida Luiz Edmundo Coube, recentemente inaugurada. “Além desse, eu já tinha outros processos para pedir o apoio do governo estadual”, disse. O vice-governador do Estado, Cláudio Lembo, é do mesmo partido que Dudu, o PFL.

Tumulto

A relação tumultuada entre prefeito e vice-prefeito já faz parte da história política da cidade. Dudu assumiu a presidência do Departamento de Água e Esgoto (DAE) logo após Nilson assumir o segundo mandato de prefeito. A parceria durou pouco.

Seis meses depois de assumir o posto, foi exonerado. “Foi uma experiência valiosa comandar o DAE. Neste período em que presidimos a autarquia, tentamos desenvolver toda a sua potencialidade. Entendo que se tivéssemo ficado, teríamos resolvido o problema da reforma da Estação de Tratamento de Água, a ETA, e avançado na questão do tratamento de esgoto”, comenta.

Dudu acredita que se tivesse ficado na gestão municipal poderia ter colaborado com sua experiência de administrador. “Esse rompimento não partiu de nós. Partiu do prefeito. É preciso lembrar que sem a participação do PFL, ele não teria vencido as eleições. O que se percebe é que havia um certo ciúmes das pessoas que cercavam o prefeito em relação a nós”, avalia.

As adversidades, porém, não fazem o vice-prefeito abandonar o mundo político. Encerrado seu mandato de vice-prefeito no próximo sábado, ele tem como planos a reorganização do PFL na cidade.

O pefelista assume, três meses após as eleições municipais, que o desempenho do partido foi discreto. “Não fomos bem. Poderíamos ter feito de dois a três vereadores, mas só fizemos um. Uma coisa que nos prejudicou foi não termos lançado candidatura própria a prefeito. Teríamos eleitos mais vereadores. Foi uma estratégia errada sairmos de vice na chapa do Valle (Luiz Carlos Valle, ex-candidato a prefeito do PSB)”, analisa.

Sobre o posicionamento do PFL em relação à administração Tuga Angerami (PDT), Dudu acredita que o partido deverá compor a bancada da oposição. “O PFL vai continuar vivo e particicipar efetivamente do processo político de Bauru.”

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