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Educação atrai pessoas para Bauru

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

A cidade de Bauru registrou na década passada (1991 a 2000) um crescimento populacional médio anual de 2,17%, superior à média nacional (1,6%), num movimento contrário ao seguido pela maioria dos municípios brasileiros, que no período acabaram “encolhendo” (27,2%) ou cresceram abaixo da média do País (40%). Os dados fazem parte da pesquisa “Tendências Demográficas”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem.

Para o geógrafo Sebastião Clementino da Silva, o Macalé, professor de geopolítica e geografia humana da Universidade do Sagrado Coração (USC), alguns fatores contribuem para este fluxo populacional positivo para a cidade, mas o principal deles é o fato de Bauru ser um pólo universitário já consolidado. Outro aspecto que torna a cidade uma espécie de “ímã” do fluxo migratório é sua condição, também, de um pólo prestador de serviços.

O professor lembra que outras características de Bauru favorecem um fluxo migratório positivo, como sua natureza centrogeográfica (é sede de uma importante região administrativa) e uma rede de serviços públicos (saúde, moradia, etc) com qualidade acima da média. Soma-se a isso a tendência da interiorização, já detectada em todo o País. “As pessoas buscam novas oportunidades de emprego e também fogem da criminalidade dos grandes centros”, acredita Macalé.

Essa tendência é reforçada, ainda, pela classificação da cidade como de nenhuma vulnerabilidade social, ou seja, com altos índices de riqueza, longevidade e escolaridade da população, segundo estudo divulgado no mês passado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

Macalé lembra ainda que o fluxo migratório, que nos anos 80 era quase todo direcionado às metrópoles, também mudou. “Atualmente, as pessoas até deixam as cidades pequenas, mas rumam para as de médio porte. E Bauru, como ‘capital’ de uma região administrativa, acaba recebendo este fluxo”, diz.

Apesar deste “pacote” de fatores, Macalé credita à boa infra-estrutura educacional da cidade, com oito universidades instaladas, o principal motivo de Bauru se diferenciar da maioria dos municípios brasileiros. “Além de atrair um significativo fluxo estudantil, a cidade acaba ganhando também um contingente extra de pessoas que acabam seguindo seus filhos que vêm para estudar”, diz o geógrafo.

Migração familiar

A tese do geógrafo da USC acaba comprovada com casos como o da agente escolar Nilce Inês de Oliveira, 48 anos, que chegou a Bauru em julho do ano passado após passar quase toda sua vida morando em Cotia, na Grande São Paulo.

Oliveira admite que só se mudou após conseguir a transferência de seu cargo junto à Secretaria de Estado da Educação, mas reconhece que a motivação principal foi a saudade do filho, que deixou a Grande São Paulo há 11 anos para estudar em Bauru e acabou se fixando na cidade depois de formado. “Nunca esteve nos meus planos e acho que não teria me mudado se meu filho não tivesse deixado nossa casa para estudar aqui”, diz.

Na mudança, a agente escolar acabou trazendo nada menos que seis familiares, que também já se fixaram na cidade. Oliveira lembra que, rapidamente, a filha e um sobrinho conseguiram um emprego - justamente no setor de prestação de serviços.

Também contribuiu para a migração da família, relata Oliveira, a constatação de que a qualidade de vida é realmente melhor no Interior. “Aqui (em Bauru) a gente tem educação, saúde, comércio e lazer tudo ao nosso alcance. Na Grande São Paulo, eu dependia de várias conduções e agora faço tudo a pé e com tranqüilidade”, comemora.

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