Tribuna do Leitor

O pior cego


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Segunda-feira, 13 de dezembro. Clientes aguardam a vez de serem atendidos na clínica de olhos. Entre estes, o vereador Faria Neto. Cumprimento-o e, como era de se esperar, falamos de política. Quero saber das perspectivas do futuro prefeito para o próximo quadriênio. Fala da apreensão do futuro governante, preocupado com a escolha de seus auxiliares e ciente das múltiplas dificuldades que o esperam. Num dado momento, fala da administração passada de Tuga Angerami. E um destaque para o complexo problema da saúde. Diz que à época Bauru figurava como ponto de referência para outras cidades, graças ao trabalho desenvolvido pelo médico, dr. Capistrano, que se transferiu para Santos, vindo a ser prefeito daquela cidade.

Momentos há em que o pensamento voa... Preocupa-me sobremaneira a “acuidade” da atual Secretaria de Saúde de Bauru. Estou em Bauru há onze anos. E em tão curto espaço de tempo recebi das mais expressivas pessoas desta cidade homenagens muito além das que mereço. Há, no entanto, atitudes que não consigo entender. Na rua Ezequiel Ramos há uma pastelaria. Acredito ser o melhor pastel de Bauru. Nome da pastelaria: Sakata. O cliente vê a fabricação do pastel. A massa se estende solta sobre a pedra de granito. Há muito asseio no estabelecimento. A Secretaria da Saúde, preocupada com a higiene e saúde dos clientes, exigiu que o proprietário fizesse uma divisória toda confeccionada em vidro. Uma espécie de campânula, redoma, para resguardar do pó. Um luxo! Mas o proprietário diz que a inspeção sanitária ainda exige que se coloque ali, dentro da divisória, uma pia para lavar as mãos... E há falta de espaço para tanto. Apenas ouvi. Não tenho procuração do sr. Sakata para discutir o assunto, mesmo porque não sou sanitarista, embora se saiba que sanitarista tem muito a ver com a saúde do povo. Mas o que me chama a atenção é que as calçadas, atentem para o que digo, as calçadas de nossa cidade ostentam churrasqueiras a carvão onde se assam espetinhos sujeitos à poeira das ruas, à fumaça dos escapamentos dos carros, e a todo tipo de poluição! Pergunta-se: por onde anda a inspeção sanitária?! Já afirmei: não sou sanitarista; nem jurista. Mas gostaria de que me convencessem de que as calçadas são mais higiênicas que a pastelaria Sakata! Cabe, aqui, uma observação que se faz necessária: o sr. Sakata não me conhece; sou apenas um cliente eventual que se lembra, no momento de um sábio adágio consagrado pela sabedoria popular: “O pior cego é o que não quer ver.”

Alvaro B. Pontes - RG 2.477.567

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