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O calcanhar-de-aquiles das empresas


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O ano velho partiu. “E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, você?” Navegando suavemente nos versos do nosso poeta, Carlos Drummond de Andrade, deparamos com o momento de perguntar - e agora? O que cada um de nós vai fazer com o presentão que ganhou? É a hora da verdade. Ajudar o próximo com práticas continuadas de solidariedade. Acionar o motor de arranque dos planos de ação para que os objetivos possam ser atingidos, no tempo e no espaço que planejamos.

Para melhorar a nossa pouco honrosa colocação (57.ª) no ranking mundial de competitividade, é emergencial otimizar os investimentos em infra-estrutura e em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) alicerces para o desenvolvimento harmônico da economia e do social. Eliminar o excesso da burocracia e do peso da carga tributária são políticas essenciais ao maior grau de internacionalização da nossa economia.

Para a iniciativa privada fica a lição de que a liderança de mercado pode, também, ser transitória. Uma simples análise no ranking das 50 maiores e melhores empresas dos últimos 30 anos revela que 66% delas não mais fazem parte dessa elite olímpica. Das 500 empresas que constaram no primeiro anuário - Melhores e Maiores da Revista Exame - publicado em 1974, apenas 88 companhias apareceram na listagem de 2004, sem se ausentar um só ano. Liderança é resultado do processo de melhoria contínua.

No campo pessoal, é preciso ter a percepção de que qualidade de vida, felicidade pessoal e carreira bem-sucedida são fatores da mesma equação: “a beleza de ser um eterno aprendiz”. Conduta ética, competência técnica, habilidades ecléticas, relacionamento interpessoal, capacidade para decidir acertadamente, são pré-requisitos à conquista profissional. A classe política, o empresariado e cada cidadão, pode tirar lições exemplares do maior espetáculo da terra - as olimpíadas. Com efeito cascata, esse evento envolve todos os segmentos da economia mundial e da sociedade como um todo. Entre as dezenas de modalidades esportivas elegemos o vôlei como modelo de gestão. Ele é referência em planejamento, conhecimento e “fazejamento” compartilhados - ingredientes indispensáveis da receita de sucesso para qualquer empreendimento. Tendo como fundamentos principais o compartilhamento do conhecimento, a descentralização do poder e o espírito de equipe, o modelo de gestão interativa encontra, na cultura das organizações, a grande muralha para sua consolidação.

Nós ainda temos um estilo autoritário de administrar, inclusive pelas raízes pouco profundas da nossa democracia. Este é o calcanhar-de-aquiles das empresas, fator inibidor para que os funcionários sintam prazer pelo trabalho e orgulho da empresa - pré-requisitos indispensáveis para encantar os clientes. Este inadequado jeito de gerenciar pode ser comprovado pelas ocorrências conflitantes do dia-a-dia das empresas e pela divulgação de pesquisas, como a coordenada pela professora Betânia Tanure de Barros, da escola para executivos Fundação Dom Cabral (MG), que concluiu: “Se comparado há 30 anos, o nível de concentração de poder mudou muito pouco no Brasil. Só o discurso é diferente.”

A descentralização do poder decisório é um dos fundamentos do novo perfil da organização competitiva, seja ela pública ou privada. Este estilo gerencial - que melhora as relações entre o capital e o trabalho - provoca motivação nos funcionários, fidelização dos clientes, maior lucratividade através de parcerias estratégicas e desburocratização dos serviços públicos. Enfim, reduz o Custo Brasil. Concluímos que para mudar o modelo de gestão temos que radicalizar, ou seja, temos que “virar a própria mesa”, pois para fazer omelete é indispensável quebrar os ovos.

O autor, Faustino Vicente, é consultor de empresas e de órgãos públicos

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