Regional

Acusado de estupro é levado para Itaí

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Itaí - O pedreiro Isael Pereira da Silva, 28 anos, que foi preso no último dia 18 após ter assumido a autoria do assassinado da menina Estefani Guedes dos Santos, 10 anos, no distrito de Rubião Júnior, em Botucatu, foi transferido para a Penitenciária “Cabo Marcelo Pires da Silva”, de Itaí (140 quilômetros a sul de Bauru).

Mesmo não tendo sido ainda julgado pela Justiça, o acusado foi levado para a penitenciária por uma questão de segurança pessoal. Presos das cadeias de Botucatu, São Manuel e Porangaba ameaçaram se rebelar caso o pedreiro fosse transferido para uma dessas unidades.

Eles teriam avisado inclusive que seriam obrigados a usar o “código de ética” dos detentos contra Silva. O tal “código” prevê “penas rigorosas” para os acusados de estupro. Uma das punições seria a morte.

Antes de ser transferido para Itaí, Silva ficou detido na Cadeia Pública de Conchas, na região de Botucatu. A penitenciária de Itaí, segundo informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), é destinada especialmente para abrigar acusados e condenados pelo crime de estupro.

Essa medida, na avaliação da secretaria, tem como objetivo oferecer uma relativa segurança aos presos, uma vez que os estupradores também não são bem aceitos nas penitenciárias.

Entre os “inquilinos” mais famosos presos em Itaí está o motoboy Francisco de Assis Pereira, o “maníaco do parque”, acusado de violentar e matar pelo menos dez mulheres no Parque do Estado, região sul da capital paulista, em 1998.

Segundo números fornecidos pela SAP, a população carcerária em Itaí está acima do limite máximo estabelecido. A capacidade da penitenciária é de 792 presos, mas o local conta atualmente com 963 pessoas.

Além de estupradores, a penitenciária abriga ainda acusados de atentado violento ao pudor e presos que não têm convívio em outras unidades.

Preventiva

A prisão temporária do pedreiro de Rubião Júnior vence no próximo dia 18. Mas a delegada Simone Alves Firmino Sampaio, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Botucatu, já adiantou que irá pedir a prisão preventiva do acusado. Desta forma, Silva deverá responder o processo criminal preso.

A delegada informou ontem que pedirá o indiciamento do pedreiro por estupro, atentado violento ao pudor, seqüestro e homicídio triplamente qualificado. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou o estupro. Em razão da grave violência, a garota teve a vagina e o ânus dilacerados pelo agressor, segundo consta do laudo.

Em nove anos de profissão, dois deles cumpridos na capital paulista, a delegada da DDM comentou que nunca viu uma agressão tão desproporcional contra uma criança.

Estefani estava dormindo quando o pedreiro chegou, durante a madrugada do dia 18, procurando pela mãe dela, Cleuza Cardoso dos Santos, com quem teria tido um relacionamento amoroso.

Como Cleuza não estava, Silva teria levado a menina com ele à força. Além de Estefani, estava na casa a avó Maria Estelita Cardoso, 74 anos, e uma irmã mais nova de 7 anos.

Quando amanheceu o dia, o corpo da menina foi encontrado seminu e com perfurações no peito a cerca de 200 metros da residência. Momentos depois, Silva foi preso e teria confessado o crime. Ele teria argumentado à polícia que estava sob efeito de crack quando matou a menina.

De acordo com a delegada Simone, se o laudo toxicológico confirmar que o acusado estava realmente sob efeito de droga a pena será agravada.

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