Já na condição de prefeito empossado, Tuga Angerami (PDT) defendeu ontem, em discurso feito na Câmara Municipal, uma relação harmoniosa entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. No mesmo tom, também citou o Ministério Público (MP). Além dele, foram empossados o vice-prefeito, Renato Purini (PMDB) e os 15 vereadores eleitos em outubro passado.
No discurso, que durou cerca de 20 minutos, o pedetista convoca os segmentos organizados para um período de reconstrução conjunta do município. “O prefeito e o vice não conduzem sozinhos uma cidade a seus destinosâ€, observou. “O grande desafio que se coloca a todos nós bauruenses é a busca de uma convivência harmoniosa entre os poderes desta cidadeâ€, completa.
Na avaliação dele, é necessária a “reconstrução†do relacionamento entre o município, o Poder Judiciário e o Ministério Público. “Lamentavelmente, a nossa cidade, pelo enfraquecimento do Legislativo e do Executivo, vem sendo administrada muito mais pelo Ministério Público e por decisões do Judiciárioâ€, comentou.
Para ele, essa situação ocorre quando o Executivo e o Legislativo deixam de representar as “aspirações do povoâ€. “Cabe ao Ministério Público elevar sua voz em nome desse povo. Cabe ao Judiciário restabelecer a ordem e a Justiça. Nesse sentido, cabe a nós reconstruirmos relações harmoniosas entre os nossos poderes e com o Ministério Públicoâ€, pregou.
Agenda
O prefeito adiantou ontem que amanhã, no seu primeiro dia de governo, vai pedir o agendamento de audiências com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o governador do Estado, Geraldo Alckmin. “Quero sinalizar a disposição de uma convivência necessáriaâ€, justifica, reforçando a importância política da participação da presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, na ponte com Brasília.
Demostrando claramente no tom que deu ao discurso que o período eleitoral já faz parte do passado, Tuga citou o encontro que manteve com o governador Geraldo Alckmin, articulado pelo deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). “Bauru quer ter uma relação próxima, fraterna, de colaboração com o governo do Estadoâ€, afirmou.
“O governador Alckmin voltará seus olhos para nossa cidade. Jamais discriminará a cidade pelo fato de ter um prefeito que não é do seu partidoâ€, prevê.
Antes de encerrar seu discurso, o prefeito pediu à população que seja exigente e que se organize para participar das decisões sobre o município. “Participem das associações de moradores, de plenárias, assembléias e de conselhosâ€.
Sobre as dificuldades que vai enfrentar na administração, Tuga foi enfático: “Confio demais no poder de recuperação dessa cidade. Não me assustam as dívidas, não me assusta a deterioração do equipamento público, não me assustam nem mesmo os buracos das ruas porque creio no potencial, na força de recuperação dessa cidade. Ela tem um povo que não se acovarda e nem se acomoda. O desafio é esse: debaixo de um grande guarda-chuva reconstruir essa cidadeâ€.
Nilson sai com críticas à política ‘perversa’ do País
Depois de cumprir seis anos de mandato, Nilson Costa (sem partido) repassou o cargo de prefeito ontem à noite a Tuga Angerami (PDT), em cerimônia realizada na porta principal do Palácio das Cerejeiras. Cerca de 200 pessoas acompanharam o evento.
Em seu discurso, Nilson criticou a “perversa política econômica†e pediu alterações para que os prefeitos possam ter condições de governar os municípios. “Sem modificações, dificilmente qualquer prefeito conseguirá realizar tudo aquilo que o povo desejaâ€, observou.
Acompanhado da mulher, Shalimar, filhos e netos, o prefeito Tuga Angerami fez um breve discurso e ressaltou, mais uma vez, a importância da participação popular nos rumos da administração que comandará a partir de amanhã.
“O que queremos é que as pessoas participem no dia-a-dia. Existem instrumentos de democracia participativa. Temos os conselhos municipais, as audiências públicas, as associações de moradoresâ€, lembrou.
Encerrado o discurso, o prefeito e seu vice, Renato Purini (PMDB), subiram pela primeira vez ao terceiro andar do Palácio das Cerejeiras, onde está localizado o gabinete do Poder Executivo.