A dificuldade da prefeitura em encontrar locais para retirada de terra está cada vez maior no perímetro urbano de Bauru. Para realizar serviços de construção, tapar buracos ou erosões, a administração municipal hoje tem buscado terra em locais cada vez mais distantes, na periferia da cidade.
É o que afirmam o coordenador da Defesa Civil do município, Álvaro de Brito, e o ex-secretário das Administrações Regionais (Sear), Arlindo Figueiredo. Segundo Brito, em algumas ocasiões, para socorrer um bairro que enfrenta problemas de erosão, por exemplo, o maquinário da prefeitura chega a percorrer até dez quilômetros em busca de uma área para retirada de terra. Percorrendo maiores distâncias, também aumentam os gastos com óleo diesel, máquinas e funcionários.
“Nós temos hoje um pouco de terra na região do Parque Jaraguá, do Santa Edwirges, mas não em grandes quantidadesâ€, diz o coordenador.
Atualmente, a Sear tem retirado terra em bairros como Tangarás, Bauru 16, Jaraguá e Nova Bauru. Entretanto, o diretor de divisão administrativa da Sear, Sérgio Tomas de Lima, afirma que também as áreas públicas da periferia ulitizadas para essa finalidade estão quase esgotadas.
Na avaliação de Brito, o problema está relacionado ao próprio desenvolvimento das cidades. Na dinâmica do crescimento, há a necessidade de grande movimentação de terra para realização de obras e serviços públicos de reparo, ao mesmo tempo em que as áreas de retirada tornam-se cada vez mais escassas no perímetro urbano.
“São Paulo, por exemplo, está buscando terra na região de Cotia, de São Roque, a quilômetros de distância da área urbana. Depois, o material é armazenado em determinados pontos para poder ser utilizado. A terra hoje realmente é uma riquezaâ€, conclui Brito.
Na capital, um caminhão de terra chega a custar R$ 120,00. Em Bauru, esse preço oscila entre R$ 40,00 e R$ 50,00, de acordo com dados de empresas de terraplenagem consultadas pelo JC.
Em Bauru, Brito prevê que, em breve, a prefeitura terá que recorrer à zona rural para conseguir a quantidade de terra necessária para a realização de obras, especialmente para tapar erosões – um problema que assola muitas vias do município e que exige grande movimentação de terra para o controle provisório. “Na área urbana, nós não temos mais de onde retirar (terra)â€, diz.
O ex-secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, nega a escassez, entretanto admite que a prefeitura tem percorrido maiores distâncias para conseguir o material.
“Cada vez fica mais longe e dificultoso (conseguir terra). À medida que a cidade vai se expandindo, as áreas em que você pode tirar terra ou que têm disponibilidade de terra vão ficando mais distantesâ€, observa.
Segundo Lima, com o esgotamento de áreas públicas para retirada, a prefeitura tem dependido de doações de terra de propriedades particulares.
Um empreendimento particular grande que está sendo realizado no Jardim Estoril, por exemplo, contribuiu para melhorar a reserva da Secretaria de Obras e das empresas de terraplenagem.
Doação
A Prefeitura de Bauru retira terra de áreas particulares mediante autorização dos proprietários. Há pessoas, por exemplo, que precisam nivelar um terreno e acionam a prefeitura para retirar a terra do local.
Entretanto, para fazer essa doação o proprietário precisa cumprir um procedimento burocrático. Deve levar a documentação do terreno até a prefeitura e abrir um processo administrativo. Os casos são analisados pelo departamento jurídico da prefeitura.
Segundo Arlindo Figueiredo, foi na administração Nilson Costa que essa prática foi regularizada. O ex-secretário afirma que hoje a prefeitura aceita esse tipo de doação devido à escassez de terra. “Hoje esse é um problema muito sério. Nós não temos terraâ€, diz.
Segundo ele, a prefeitura tem estocado o material em áreas municipais para utilizar em casos de emergência. Na avaliação dele, a administração pública terá a necessidade de comprar, no futuro, novas áreas para retirar terra.
Erosões
O aterramento de algumas erosões em Bauru exige grande movimentação de terra. Na época das chuvas esse trabalho é acentuado, já que parte do solo reposto pela prefeitura é levado pela enxurrada.
“Há pouco tempo, nós colocamos 350 caminhões de terra em uma rua, no dia seguinte choveu e essa terra foi emboraâ€, descreve o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, lembrando que o problema é comum nesse período.
Brito afirma que para controlar temporariamente pequenas erosões são gastos cerca de 500 caminhões de terra. “Já as grandes requerem um projeto maior. Se essas erosões no futuro precisarem de um volume muito grande de terra, a gente vai ter dificuldadesâ€, conclui o coordenador da Defesa Civil. Segundo ele, Bauru possui atualmente erosões cujo controle exigiria mais de 30 mil caminhões de terra.
Brito lembra, entretanto, que a solução para esse problema não se limita às técnicas de aterramento. São necessárias outras medidas, como o investimento em galerias pluviais e asfalto.
Atualmente, a maior parte da terra utilizada pela prefeitura é deslocada para a recuperação de ruas e para tapar erosões causadas pelas chuvas. O ex-secretário municipal de Obras, José Ângelo Padovan, não soube precisar a quantidade de terra que o município gasta mensalmente com obras. Mas afirmou que nos meses de chuva a quantidade aumenta consideravelmente.