A solidariedade também nos momentos de festas de fim de ano para com os mais necessitados sempre incrementou as refeições dos atendidos no Albergue Noturno do Centro Espírita Amor e Caridade. Este ano no entanto, a tradição de doar para os albergados as sobras das ceias foi quebrada. A diretora administrativa do Albergue Noturno, Anunciata dos Santos Crepaldi, conta que as únicas doações ocorreram duas semanas antes do Natal e foram alimentos provenientes de churrasco de confraternização.
A funcionária Laura Rodrigues da Cunha Lima comenta que os alimentos foram bem-vindos e chegaram ainda quentes ao albergue. Ela explica que no sábado de Natal chegou comida das penitenciárias de Bauru.
Crepaldi não sabe dizer ao certo o que está motivando as pessoas a não doarem suas sobras para a instituição.
Apesar da ausência de doações, os albergados elogiaram o almoço de ontem. Um deles, que preferiu não ser identificado, relatou que o cardápio estava saboroso com carne com batata, arroz, feijão, salada de tomate e polenta de cuscuz. Ele enfatizou que não comia há dois dias. O rapaz veio de Ribeirão Preto com destino a Presidente Prudente, mas, pela falta de dinheiro, aguardava o encaminhamento via Albergue Noturno.
O rapaz contou que é trabalhador rural e que busca emprego em outro município. O albergado José Eronides já se sente em casa no Amor e Caridade. Ele diz que mora na instituição até encontrar um emprego que lhe propicie renda para o sustento. Enquanto isso, aproveita a comida e o convívio com os companheiros, funcionários e voluntários. O alagoano Eronides reside há três anos em Bauru, vindo de São Paulo. Ele conta que vive da confecção de artesanato e objetos de decoração. Seu objetivo para 2005 é arrumar um emprego com carteira assinada e voltar a estudar. “Sou novo e pretendo estudar e trabalhar”, projeta.
Atualmente, o albergue atende em média 25 pessoas por dia com banho, alimento, pernoite e acompanhamento de assistente social. Crepaldi explica que aos sábados, domingos e feriados há um esquema diferente de atendimento.
O regulamento da instituição prevê um ciclo de três refeições a partir das 19h, quando se inicia a recepção das pessoas. Ao chegar, o atendido passa pela triagem, é triado, toma banho e janta. Na manhã seguinte, passa pela assistente social, toma café e almoça. A diretora administrativa ressalta que não pode retornar aquele que sai entre o café da manhã e o almoço.