A Câmara Municipal de Bauru conheceu no início da madrugada de ontem o nome do seu novo presidente. O vereador Toninho Garmes (PSDB) foi eleito por unanimidade para comandar o Poder Legislativo no biênio 2005/2006. O tucano ocupará o cargo pela primeira vez e prega a oposição responsável ao prefeito Tuga Angerami (PDT).
O vereador Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) foi escolhido para ser o vice-presidente da Casa. O parlamentar Pastor Luiz de Jesus (PTB) fará a função de primeiro-secretário e José Carlos Batata (PT) será o segundo-secretário. A sessão foi encerrada por volta das 2h.
O processo de eleição da nova Mesa Diretora teve início logo após a cerimônia de posse e durou quatro horas. Os vereadores da base governista tiveram dificuldades para encontrar um candidato que pudesse vencer a disputa. Rodrigo Agostinho (PMDB), Majô Jandreice (PCdoB), Futaro Sato (PDT) e até mesmo o novo presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Clemente Rezende (PDT), estiveram cotados para concorrer à presidência, mas não houve consenso.
Já os seis parlamentares do PSDB e PP, aliados nas eleições de outubro, fecharam questão em torno de Garmes. Além disso, também conquistaram nos bastidores a simpatia de outros vereadores, o que garantiu maioria ao grupo. Sem saída, a base governista declarou apoio ao tucano, único candidato indicado para a disputa.
Após a eleição, Garmes afirmou que não pretende fazer oposição radical ao governo Tuga. “Os poderes Executivo e Legislativo têm que ser independentes, mas deve haver harmonia entre eles e acredito nessa possibilidade”, discursou.
Ele afirmou que também não fará distinção entre grupos políticos dentro da Casa. “Minha idéia é ser austero, mas democrático. Jamais vou atrapalhar o desenvolvimento político de qualquer vereador”, anunciou.
Nos corredores do Legislativo, o comentário era que um dos parlamentares pediu a Garmes a contratação do terceiro assessor parlamentar em troca do voto. O novo presidente da Câmara fez questão de se posicionar em relação ao assunto.
“Fui contrário à criação desse cargo, mas a Justiça entendeu que a lei que o instituiu está valendo. Então, se um vereador entrar com requerimento de terceiro assessor e o departamento financeiro disser que há condições para a contratação, eu cumprirei a lei, pois sempre fui um legalista”, ressaltou. O novo presidente da Câmara garantiu, no entanto, que sua eleição não está vinculada à nenhuma troca de favores acordada nos bastidores.
Para o tucano, o resultado da eleição não representa uma derrota de Tuga. “O prefeito nunca fez qualquer restrição ao meu nome”, argumentou.
O vereador Clemente Rezende, que pedirá afastamento do cargo hoje para presidir o DAE, concordou. “Foi uma votação por unanimidade e em nenhum momento o prefeito se envolveu na disputa pela presidência”, justificou.
Na disputa pelas demais vagas da Mesa Diretora, Rodrigo Agostinho foi indicado para ocupar os três cargos e derrotado em todas as votações. Ele perdeu para Martins Neto, por 11 a 4, para Pastor Luiz, por 10 a 5, e para Batata, por 11 a 4.
Seis vereadores a menos tomaram posse em relação a 2001. A redução foi determinanda pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que se baseou em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão estabeleceu que as Câmaras Municipais devem definir a sua quantidade de cadeiras em função do número de habitantes do município. Com isso, Bauru passou a contar com 15 parlamentares, e não mais com 21.