Polícia

Menor confessa ter matado estudante

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Policiais do Grupamento Especializado de Policiamento Ostensivo com Motocicleta (Gepom) apreenderam, na madrugada de ontem, um dos acusados de matar a estudante Cláudia Araújo, 18 anos, durante um assalto na Vila Zillo, no último dia 15 de dezembro.

Na versão apresentada pelo adolescente de 16 anos, o tiro que matou a estudante foi acidental. “Eu coloquei o revólver na janela do carro que estava semi-aberta. A vítima assustou e me assustou. O revólver estava engatilhado. Eu tentei tirá-lo da janela, mas o gatilho enroscou e disparou”, disse.

Ele alegou que o latrocínio (matar para roubar) foi uma questão de circunstância. “Eu estava armado e já tinha programado fazer um assalto. Quando passamos pelo carro, eu achei que seria fácil, que podia fazer a fita”, disse à reportagem.

O depoimento do acusado ainda requer confirmação por parte dos outros dois supostos envolvidos, identificados como Xandão e Badu, também conhecido por Cafu, que teriam participado do crime, segundo o menor. Há suspeitas, inclusive por parte do delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia, que o adolescente possa estar assumindo o crime no lugar dos dois colegas.

O adolescente foi encontrado na madrugada de ontem no Parque Roosevelt, na casa de um conhecido. Nos pés dele estavam os tênis roubados do namorado da vítima, Vinícius Dalólio Ramire, 20 anos. O dinheiro, cerca de R$ 40,00, teria sido dividido entre os outros dois envolvidos e o aparelho celular da vítima teria sido jogado fora. “O relógio foi dado como pagamento de uma dívida para um tal de Renato”, disse o adolescente.

O menor foi apreendido e ficará no Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) até a autoridade judicial decidir que atitude tomar. Os outros dois envolvidos já estão com a prisão temporária decretada por 30 dias. Segundo o titular da DIG, as investigações serão intensificadas a fim de deter Xandão e Badu. “Só assim o caso será encerrado. A arma encontrada próxima a casa do menor, um revólver calibre 38, foi encaminhada para o exame de balística que vai comprovar se a cápsula encontrada no carro saiu daquele revólver”, explica Cardia.

Tatuado e colorido

Sem muito constrangimento, usando muita gíria e com o visual “moderninho” - cabelo colorido, tatuagens pelo corpo e calção mostrando a cueca -, o adolescente falou sobre o caso. Ele contou que no dia do crime, 15 de dezembro, foi com Xandão e Badu para a Vila Zillo, na casa de uma terceira pessoa, que ele não quis revelar o nome. “Nós ficamos por lá até a noite. Eu estava armado e nós resolvemos retornar para casa, no Fortunato Rocha Lima”, contou.

No caminho, quadra 1 da rua Florêncio Souza Leite, Vila Zillo, o trio, segundo o adolescente, observou Claúdia e Vinícius namorando dentro do carro. “Eles estavam namorando no banco traseiro. Nós passamos e eu convidei o Xandão para fazer a fita. Ele topou.”

O vidro do carro estava semi-aberto e eu coloquei a arma engatilhada. “A arma disparou e atingiu a moça. Eu sentei no banco traseiro com os dois, enquanto o Badu assumiu a direção e o Xandão ficou no banco de passageiros”, frisa.

De acordo com o adolescente, eles rodaram por vários locais para só abandonar o rapaz com a moça já morta próximo ao Instituto Penal Agrícola. “Nesse período, eu roubei o tênis, o celular, o relógio e o dinheiro. Deixamos eles lá.” O acusado afirma não ter molestado a moça. “Ela não reagiu, em nenhum momento. Eu abandonei o casal e fui para minha casa, no Fortunato.”

Na versão do menor, o revólver usado no crime teria sido vendido por R$ 250,00 para um desconhecido no Parque Jaraguá. Porém, ainda na manhã de ontem, a Polícia Militar apreendeu a arma, embrulhada em uma camiseta no quintal de uma casa no Fortunato Rocha Lima, contrariando as afirmações do menor.

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Tragédia

O namorado da vítima, Cláudia Araújo, 18 anos, Vinícius Dalólio Ramire, 20 anos, não foi encontrado ontem pela polícia para identificar o menor acusado de ter praticado o latrocínio que tirou a vida da jovem.

De acordo com informações da polícia, o rapaz está traumatizado com a situação. Ele viveu momentos de muita tensão em poder dos assaltantes. Em depoimento à polícia, ele teria dito que foi constantemente ameaçado e pediu insistentemente para que o trio deixasse Cláudia no Pronto-Socorro para ser socorrida.

O pedido dele não foi atendido e a vítima ficou ferida no carro, o Gol, placas DDZ 0333 de Bauru, por mais de 30 minutos. Quando Ramire conseguiu se livrar dos assaltantes, a vítima já estava sem sinais vitais. A estudante havia concluído o 3.º ano do ensino médio e já estava na segunda fase do vestibular da Universidade de São Paulo (Fuvest).

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