“O começo será difícil”. O novo secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, iniciou ontem seus trabalhos afirmando que haverá muitos obstáculos a serem vencidos durante sua gestão como titular da pasta. E confirmou que não haverá desfile de Carnaval no Sambódromo em 2005.
Formado em Direito, Vinagre nunca atuou na área. Na primeira gestão de Tuga Angerami (PDT), foi membro do Conselho de Ação Cultural, época em que a secretaria municipal de Cultura ainda não existia. De lá para cá, exerceu atividades no ramo cultural em entidades como Serviço Nacional do Comércio (Senac), Serviço Social do Comércio (Sesc) e Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes”.
Em seu primeiro dia de trabalho como secretário municipal de Cultura, Vinagre destaca que ainda está “tomando pé” da situação da pasta, mas demonstra otimismo, mesmo conhecendo a situação ruim da Prefeitura de Bauru. Confira, a seguir, trechos da entrevista concedida ao JC Cultura.
JC Cultura - Quais são suas perspectivas para a área cultural de Bauru no próximos quatro anos?
José Augusto Ribeiro Vinagre - A gente entra com uma perspectiva boa para tudo. A Secretaria de Cultura tem o privilégio de ter um grupo técnico muito bom de pessoas que já têm experiência nessa área há muito tempo. Isso facilita o trabalho. Apesar de a gente não ter muitos recursos porque a prefeitura está numa situação ruim, eu acredito que, pela capacidade de recursos humanos da secretaria de cultura, a gente tem condições de desenvolver um trabalho bom neste começo. Então, as perspectivas são as melhores possíveis.
JC - O que deve mudar e o que deve permanecer em relação à gestão passada?
Vinagre - Eu acho que, como um todo, a prefeitura tem uma estrutura ainda muito antiga. Então, eu acho que a gente tem que pensar numa reestruturação das estruturas próprias de cada secretaria. Isso é uma questão geral da prefeitura. Mas quem define em relação a isso é o Tuga (Angerami). Eu acho que tem pouca coisa que se mudar. O que a gente tem que procurar são novos projetos, tem que fazer captação de recursos tanto do governo federal quanto do governo estadual e iniciativa privada. A gente tem que ter essa preocupação constante de trabalhar com projetos. Vamos tentar trabalhar nesse sentido.
JC - Na sua opinião, essa foi uma deficiência da gestão passada?
Vinagre - Talvez não deficiência, mas talvez não tenha sido uma definição de prioridade para eles. Eu não vejo como falha e eu não quero nem falar em falhas da gestão anterior.
JC - Mas a captação de recursos estaduais e federais será uma de suas prioridades?
Vinagre - Eu acho que vai ser uma das prioridades pela própria falta de recursos por que a prefeitura vai passar neste ano. Vai ser um ano de ajustes. Para fazer alguma coisa diferente do que vinha sendo feito, vai ter que captar recursos externos.
JC - Falando nesta questão de recursos, como fica o Programa de Estímulo à Cultura, que aparentemente passa por uma crise?
Vinagre - O Programa de Estímulo à Cultura é uma lei. Como lei, ela tem de ser cumprida. Então, já foi lançado o edital para este primeiro semestre, mesmo antes de a gente assumir. Então a gente vai estar na fase agora de juntar as pessoas do grupo de seleção para a escolha dos projetos e vamos tocar. Tem algumas mudanças em relação às duas últimas edições da lei, que a gente vai tentar resolver com o pessoal de Finanças. Na verdade, a gente está tomando pé de como está a situação agora. Eu sei que faltam alguns pagamentos da primeira fase do projeto e da segunda fase também. Mas a gente não vai parar, mesmo porque é lei.
JC - Mesmo sabendo que os primeiros projetos ainda não foram concluídos em virtude de problemas de repasse de recursos, você é otimista?
Vinagre - Eu sou otimista em relação a isso e a gente vai ter que conversar. Vai ter que chegar a um acordo. Não foi a atual administração que atrasou o pagamento das fases anteriores do projeto. Então, a gente vai ter que juntar todo o pessoal que apresentou projeto e equacionar isso da melhor forma. Esse começo de administração vai ser difícil. As questões de salários estão atrasadas, então a gente vai ter de chegar a um consenso para resolver. Eu acho que o importante é não parar. Eu acho que é um projeto interessante, apesar da forma como ele foi desenvolvido - com falta de recursos.
JC - E o Conselho Municipal de Cultura?
Vinagre - É uma coisa que não depende de dinheiro, então a gente vai ter de partir para montar o conselho. Foi aprovada a lei. Nos próximos dias, a gente vai reunir o pessoal aqui para definir já a formação desse conselho. A primeira parte do trabalho é conversar com cada um dos funcionários, saber como está a situação, ver o que o pessoal está achando. O conselho é também uma coisa para o primeiro trimestre. Mesmo para captação de recursos do governo federal, é importante ter o conselho montado.
JC - Há previsão de quando ele estará funcionando?
Vinagre - A gente vai começar a trabalhar nele esta semana. Mas quando ele estará funcionando depende muito das entidades representativas. Mas é prioridade. Vamos ver se até o final do mês a gente consegue ter ele montado.
JC - Você acredita que a aprovação do conselho foi importante para Bauru?
Vinagre - Eu acho. Eu acho que qualquer coisa que democratize o acesso à Cultura e a participação da população é importante. É interessante, sim.
JC - Quais são seus planos para o Carnaval de Bauru?
Vinagre - Carnaval, para este ano, eu diria que é impossível e improvável qualquer tipo de atitude em relação ao Carnaval. Mas a minha idéia é começar a partir de agora a pensar no Carnaval do ano que vem.
JC - No formato antigo?
Vinagre - Eu não tenho essa idéia. Eu vou juntar o pessoal da Liga das Escolas de Samba de Bauru (Lesec) e o pessoal que trabalha com Carnaval aqui, algumas pessoas da iniciativa privada para ver se em conjunto conseguimos fazer alguma coisa. Não sei se nos moldes de antigamente mas, pelo menos, que se volte o desfile. A coisa tem de ser pensada já para que não fique aquela correria no final do ano com isso.
JC - E o Carnaval de bairro?
Vinagre - Eu ainda não conversei com ninguém sobre isso. Se der para fazer pelo menos o que foi feito no ano passado, nos bairros, pelo menos isso a gente vai fazer. Mas eu não sei ainda.
JC - Qual foi sua primeira impressão sobre a secretaria no primeiro dia de trabalho?
Vinagre - Por eu já trabalhar na área, eu conheço a maioria das pessoas que trabalha aqui. Eu acho que vai ser legal, vai ser tranqüilo. Inclusive porque é um pessoal que é da área, que está há muito tempo na Secretaria de Cultura, que tem experiência. Ainda somos privilegiados em qualidade de recursos humanos.
____________________
Raio X
• Nome: José Augusto Ribeiro Vinagre
• Idade: 40 anos
• Naturalidade: Bauru
• Formação: Direito
• Experiência: Foi membro do Conselho de Ação Cultural na primeira gestão de Tuga Angerami; trabalhou em cineclubes de Bauru; atuou nas áreas culturais do Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Nacional do Comércio (Senac) e Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes”. Atualmente, é funcionário do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).