Chegamos a um novo ano com boas notícias para a economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou excelente performance no terceiro trimestre de 2004, a indústria brasileira continua em forte expansão e o consumo das famílias brasileiras segue a tendência de crescimento pelo quinto trimestre consecutivo. Os números apresentados pelo IBGE no início de dezembro apontam um cenário otimista para 2005. Entretanto, junto com o desenvolvimento econômico surge novo desafio, o de garantir que o crescimento seja acompanhado pela diminuição da desigualdade social e da injusta distribuição da riqueza produzida. O cooperativismo, que substitui a competição cega pela cooperação produtiva, se encaixa como uma ferramenta importante para a aplicação da economia social, já que as cooperativas fornecem à sociedade não só bens públicos e sociais, como promovem o desenvolvimento econômico, a distribuição de renda e a geração de trabalho.
Os números comprovam esses efeitos da ação das cooperativas. Atualmente, há no Brasil 7.355 cooperativas, que congregam 5.762.718 cooperados e mantêm 182.026 funcionários. Se forem computados os benefícios estendidos às famílias dos cooperados, esse número cresce ainda mais. Outro dado importante refere-se à renda do trabalhador. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), enquanto a média salarial dos trabalhadores de estabelecimentos agropecuários não-cooperativos na região Sudeste é de dois salários mínimos, nas cooperativas a média sobre para 4,05 salários mínimos.
Confiamos no atual dirigente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e no seu propósito de adotar no banco uma postura mais ativa, buscando alcançar as empresas com necessidade de expansão. É nesse contexto que se insere o setor cooperativista, que precisa continuar crescendo e se fortalecendo para poder fazer jus ao desafio de contribuir para a promoção do desenvolvimento da infra-estrutura e da atividade produtiva no Brasil e também para a inclusão social. Uma aproximação maior do banco com os ministérios, baseada na “cooperação e no amplo diálogo”, conforme já declarou o próprio Guido Mantega, também favorecerá, a nosso ver, uma atuação mais realista do BNDES e mais sintonizada com as necessidades do País. A construção de uma sociedade mais harmônica depende do acesso de todos os agentes econômicos, independente do tamanho e da capacidade financeira, às oportunidades de crescimento, à eficiência empresarial e às condições de financiamento produtivo. O cooperativismo não quer reinventar a roda, mas quer ajudar no caminho da construção de uma sociedade mais rica e solidária.
O autor, Marco Aurelio Fuchida, é Superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB