Geral

Bauru não está livre de tornados

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru e região não estão livres de tornados semelhantes ao que atingiu Criciúma (Santa Catarina) anteontem à tarde, destruindo cerca de 70 casas. A avaliação é da meteorologista Ana Maria Gomes Held, coordenadora do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, que lembra que ano dia 25 de maio do ano passado o radar do instituto observou o fenômeno atmosférico em Palmital (220 quilômetros a sudeste de Bauru) e na região de Lençóis Paulista.

Em 1994, o IPMet registrou a ocorrência de um tornado na região de Ribeirão Preto e em 1991, outro em Itu. “Ainda não temos uma climatologia de tornados que nos permita caracterizar as regiões e a freqüência, mas eles podem ocorrer”, explica Ana Maria. O tornado forma-se em nuvens de chuva, de maneira muito rápida e aleatória.

A meteorologista conta que o tornado que atingiu Palmital, classificado como nível 2 na escala de intensidade, que vai de 1 a 5, foi observado na tela do radar do IPMet. “Na tela do radar, observamos uma coluna de ar girando violentamente. Visualmente, era uma nuvem tipo funil. É o fenômeno atmosférico mais destrutivo”, frisa.

Poucas horas após o radar do IPMet ter captado a ocorrência de tornado em Palmital, registrou outro fenômeno próximo a Lençóis Paulista. “Foi um tornado que devastou uma área de cana. Observamos no radar e depois confirmamos o estrago do tornado através de fotos tiradas na região - a cana ficou deitada por onde ele passou. Se tivesse atingido a cidade, teria feito um grande estrago”, frisa.

O fenômeno foi observado e fotografado por Luiz Carlos Dalben, proprietário de uma empresa agrícola que administra mais de 7 mil hectares de cana na região de Lençóis Paulista. “Na nossa propriedade, o tornado causou uma destruição numa faixa de plantação de cana de cerca de oito quilômetros de comprimento por 100 metros de largura. Chegou a arrancar árvore com a raiz”, relata.

Dalben conta que, por pouco, o tornado não fez vítimas. “Passou a menos de 100 metros da nossa sede, onde toda nossa equipe - cerca de 60 pessoas - estava. Todos viram e ouviram o tornado”, lembra frisando que o ruído do fenômeno era semelhante ao de um avião.

Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil em Bauru, acredita que além dos tornados observados pelo IPMet, um outro atingiu a região de Guainás, a poucos quilômetros de Bauru, há alguns anos. “Pelas características da destruição ocorrida nos eucaliptos, acredito que tenha sido um tornado de nível 1”, diz ele que mantém-se alerta nesta época para tempestades e também tornados.

Brito ressalta que os tornados causam grande destruição pelo fato de o vento formar redemoinho. “No vento em forma de tubo, a força é ampliada. É como se fosse uma alavanca. E as construções - de casas a torres - são projetadas para suportar até um certo limite do vento. Se ultrapassar esse limite, ficam suscetíveis a problemas”, diz. Geralmente, os danos ocorrem quando os ventos ultrapassam a 60 quilômetros por hora.

____________________

Radares

O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), através dos radares instalados em Bauru e Presidente Prudente, monitora praticamente todo o Interior de São Paulo. “É o único instituto de meteorologia que capta e gera imagens nessa região”, diz o meteorologista Ana Maria Gomes Held.

Além de utilizar as informações sobre tempestade, tornados e outros fenômenos atmosférico para estudo, elas são repassadas à Defesa Civil imediatamente. Com base nos dados, o órgão pode tomar medidas, que vão desde alerta até a desocupação de uma área, para tentar evitar estragos e vítimas.

A meteorologista ressalta que tornados sempre ocorreram no Brasil. Mas só recentemente, com o aparelhamento tecnológico, passaram a ser monitorados. “Estudos nos levarão, no futuro, a apontar os locais de maior probabilidade, a freqüência e a intensidade dos tornados”, diz.

Ana Maria afirma que, além das informações captadas pelo radar, imagens - fotos e vídeos - feitas de tornados ajudam e muito nos estudos. “São extremamente importantes porque é a testemunha ocular e mostra os efeitos do tornado. Nós, no IPMet, observamos apenas por instrumento”, diz.

Comentários

Comentários