Política

Obras tem 70% das máquinas paradas

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O estado de conservação da frota de veículos pesados da Secretaria Municipal de Obras está tirando o sono do novo titular da pasta, engenheiro Fernando Jorge Salomão. Ele estima que 70% do maquinário estão parados no pátio do Departamento de Apoio Operacional (DAO) da Prefeitura de Bauru à espera de conserto.

Segundo Salomão, o valor dos reparos varia de R$ 1.500,00 a R$ 30 mil, dependendo do serviço. “Temos de 30 a 40 veículos paralisados e nossa prioridade é fazê-los voltar a funcionar, mas a maior parte dos consertos depende de licitação”, comenta.

Para piorar, a condição de uso do maquinário que continua em operação não é das melhores. “Os 30% restantes estão rodando em situação precária, mas não temos outra alternativa a não ser utilizá-los”, lamenta o secretário.

A reportagem esteve ontem à tarde no DAO e constatou que a maioria dos veículos pesados da secretaria está encostada. Um deles não tem sequer condições de sair do lugar, pois está sem as rodas.

Além disso, a frota de veículos leves da pasta também apresenta problemas. “Temos apenas um carro funcionando e quatro ou cinco engenheiros para utilizá-lo. Eles são obrigados a sair em caravana”, relata Salomão. Ele afirma que o orçamento da pasta não é suficiente para recuperar o maquinário. “Precisaríamos de uma injeção de R$ 200 mil a R$ 300 mil para resolver parte dos nossos problemas”, projeta.

O secretário municipal de Finanças, Edmundo Albuquerque, adianta, porém, que não há recursos no caixa da prefeitura para bancar os consertos. Ele lembra, ainda, que a prioridade da administração neste momento é fazer o pagamento dos salários de dezembro do funcionalismo.

Oficina

Todos os veículos da prefeitura que apresentam problemas são levados atualmente para a oficina instalada na sede do DAO, subordinada à Secretaria de Obras. Para Salomão, essa estrutura deveria ser revista. “Poderíamos criar um departamento de oficina vinculado à Secretaria da Administração ou ao Gabinete”, opina.

Ele conta que há outras situações que atrapalham o andamento dos consertos. “A prefeitura tem veículos de diversas marcas e não temos estoque de peças para todos os tipos de carros”, destaca.

O secretário sugere mudanças no momento da compra de novos veículos. “Uma das opções é adquirir carros de uma marca só, como algumas prefeituras fazem”, diz.

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Cimento e massa asfáltica estão em falta

Ao assumir a Secretaria Municipal de Obras, Fernando Jorge Salomão também constatou a falta de material para a realização dos serviços coordenados pela pasta. Não há, por exemplo, sacos de cimento e massa asfáltica disponíveis.

O secretário explica que a prefeitura ainda tem 4 mil sacos de cimento a receber de um contrato vigente, mas há uma dívida de R$ 90 mil com o fornecedor. “Ele sabe que iremos pagá-lo, mas alega que está apertado”, comenta.

Sem o material, a secretaria não tem como confeccionar tubulações de concreto e nem realizar outros serviços que dependam do cimento.

Em relação à massa asfáltica, a situação também é preocupante. A pasta compra dois caminhões do material por vez, ao custo de R$ 25 mil cada um. “O sistema é automático e, enquanto o valor não é pago, a carga não é liberada”, relata.

Sem dinheiro em caixa, a previsão de entrega da massa asfáltica é incerta. “Estou pedindo para que a Secretaria de Finanças libere esse dinheiro com urgência”, afirma Salomão.

Enquanto isso, a usina de asfalto está com suas atividades praticamente paralisadas. “Ela está realizando apenas os serviços de tapa-buracos”, relata. O secretário lembra que também não há verbas para eliminar as erosões do município. “Precisaremos de recursos estaduais e federais”, projeta.

Apesar de tantos problemas, ele destaca que os funcionários da pasta estão trabalhando normalmente e cita como exemplo a reconstrução da ligação entre o Jardim Godoy e o Jardim Bela Vista, destruída pelas chuvas do último mês. “No lugar da tubulação metálica, estamos instalando células de concreto”, diz.

Salomão acredita que a situação da secretaria irá melhorar nos próximos meses. “Depois de março ou abril, começaremos a enxergar um horizonte melhor e a partir daí poderemos atacar as emergências. Queremos que a população nos dê um prazo para trabalhar”, declara.

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