Polícia

Inquérito conclui que tigres escaparam do Zôo sozinhos

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil concluiu que os tigres reais de Bengala escaparam sozinhos de uma jaula do Zoológico Municipal de Bauru no dia 3 de junho do ano passado. O inquérito policial, que teve como base laudo feito pelo Instituto de Criminalística de Bauru, apontou que a fragilidade da tela de proteção da jaula e a omissão dos funcionários são as causas da fuga dos animais.

“Os peritos descobriram, a partir de exames feitos na tela, que ela não oferecia segurança para os tigres. A tela se rompeu com o peso deles. Não houve participação de terceiros”, explica Dinair José da Silva, delegado-adjunto do 4.º Distrito Policial, que comandou as investigações. Além disso, ele aponta que no horário em que os tigres escaparam, por volta do meio-dia, haviam poucos funcionários para fiscalizar os animais, fator que pode ter facilitado a fuga.

“No dia, havia pouca vigilância no zôo. Haviam poucas pessoas para olhar os tigres e inclusive outros animais considerados perigosos”, diz Dinair. “O que se pode concluir é que houve omissão por falta dos funcionários”, acrescenta.

O diretor do zoológico, Luiz Pires, nega que houve omissão por parte da administração. Ele explica que a tela que protegia os felinos suportava mais de 740 quilos de força por milímetro quadrado. Os tigres, mãe e filho, pesavam cerca de 140 quilos e 180 quilos, respectivamente.

“Animais no mundo todo são mantidos em telas como essa. Não conseguimos avaliar ainda o que fez com que o animal ficasse tão nervoso e estressado naquela hora. Não houve negligência”, afirma Pires. O diretor do zôo, porém, admite que o momento da fuga coincidiu com o horário do almoço, quando os funcionários faziam a troca de turno.

“O incidente ocorreu justamente na hora do almoço, e estava chovendo no zoológico. O funcionário desceu para fazer a ronda e descobriu que o tigre tinha escapado. Foi, por infelicidade, uma série de coincidências”, justifica Pires.

O inquérito policial apontou omissão administrativa, que será apurada pela Corregedoria da Prefeitura Municipal de Bauru, e também pela 2.ª Vara Criminal de Justiça. A Justiça poderá pedir o arquivamento do caso, realização de novas investigações ou ainda denunciar possíveis responsáveis.

Medidas de segurança

Para prevenir outras fugas de animais, a administração do zôo adotou novas medidas de segurança no local. Uma delas é a alteração no sistema de vigilância interna, que recebeu mais funcionários. “Setorizamos a parte de vigilância na hora do almoço. Temos funcionários vigilando por setor, de modo que sempre tenha um deles próximo”, detalha Pires.

Além disso, foram instaladas cercas elétricas para evitar que os animais enjaulados tenham acesso às telas de proteção dos cativeiros, caso que ocorreu com os tigres. “Também distribuímos uma série de placas pelo zoológico informando aos visitantes que em caso de observarem alguma coisa anormal que procurem imediatamente um funcionário”, diz o diretor do zoológico.

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Relembre o caso

Os tigres reais de Bengala, um macho e uma fêmea, fugiram do Zoológico Municipal de Bauru no dia 3 de junho do ano passado, através de buraco na tela de arame da jaula. Funcionários do zôo tentaram deter os animais com dardos tranquilizantes, mas o anestésico não surtiu efeito. Por medidas de segurança, os felinos foram sacrificados com disparos de arma de fogo.

Os tigres, uma fêmea de 12 anos, e seu filho, um macho de 6 anos, nasceram no zoológico de Bauru. A expectativa de vida da espécie é de 25 anos.

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