Nas eleições de 1982, ocorreu a nível nacional o episódio que os políticos chamam de “avalanche do PMDB”. Em Bauru, a dobradinha Gasparini-Tuga venceu, e carregou consigo uma bancada de 12 vereadores. Alguns anos depois, houve eleição para a Prefeitura de São Paulo, onde o PMDB concorreu com Fernando Henrique Cardoso, um candidato fortíssimo, pois além de professor universitário gozava de trânsito, tanto na periferia como na zona central da cidade. Do outro lado, um monstro sagrado : o ex - presidente Jânio Quadros. Às vésperas da eleição, a maioria dos órgãos de pesquisa dava a vitória para FHC. Em nossa Câmara, na sessão anterior à eleição, Edson Francisco convocou a bancada, dizendo:
- Estamos organizando, para domingo, uma de boca de urna para o Fernando Henrique. Quem vai?
Embora FHC tivesse cometido um erro no debate, dizendo qualquer coisa próxima a “não acreditar em Deus”, nós do PMDB confiávamos na vitória. Todavia, aquele é o tipo de deslize que pode ser comparado à situação em que o autor declara algo que satisfaz a seu ego, mas desagrada aos eleitores. Contudo, a certeza na vitória, manifestada pelo próprio FHC, era tão grande, que ele cometeu outra imprudência. Na véspera da eleição se deixou fotografar sentado na cadeira pertencente ao Prefeito de São Paulo. A apuração foi à moda antiga, urna a urna. A medida que os resultados iam saindo percebia-se que a disputa ia ser acirrada. Alguns dias depois, o resultado final: Jânio vencera por uma diferença apertada de uns 200 mil votos, num colégio eleitoral de 5 milhões de eleitores. Conclusão: O genial cérebro de marketing político de Jânio urdira outro golpe publicitário No dia seguinte à divulgação dos resultados finais, os jornais de todo o país estamparam, em primeira página, uma foto de Jânio, acocorado, com um inseticida nas mãos, “desinfetando” a cadeira destinada ao prefeito de São Paulo porque, segundo seu próprio linguajar, “costas indevidas a haviam ocupado”.
O futuro viria mostrar, todavia, que o embate eleitoral daquele ano em São Paulo, independentemente de quem tenha sido o vencedor, foi, na verdade, um encontro de dois ases, dois pesos pesados da nossa política.
E nossa bancada teve de agüentar, por um bom tempo, desde o plenário ao café, passando pela Tribuna e pela sala da Administrativa dona Telinha, as gozações de Dal Médico, Akira, Lelo, Maiolo e outros, “mui amigos”, vereadores...
Contada por Rui Bertoti