Economia & Negócios

Cheque cede lugar a cartões na preferência do consumidor

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

O risco de inadimplência, somado ao burocrático processo de verificação de crédito, tem feito com que os cheques percam espaço na preferência de lojistas e consumidores na hora das compras. “Houve uma significativa migração de uma forma de pagamento para outra”, salienta o diretor do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), de Bauru - órgão ligado à Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) -, Sérgio Evandro Motta.

Ele explica que não possui números para expressar esse comportamento do consumidor, mas salienta que é visível a diminuição do uso de cheques na praça, em detrimento dos pagamentos com cartão. “Mesmo tendo um custo de manutenção maior, o lojista está dando preferência para o cartão, seja de crédito ou débito”, destaca.

Isso é explicado pela segurança que esse sistema proporciona. O dinheiro entra na conta do comerciante de qualquer maneira e ele nem tem a necessidade de consultar cadastro de cliente ou o SPC.

O lado ruim para o lojista é que manter esse sistema funcionando custa caro. A taxa cobrada pelas administradoras de cartão de crédito gira em torno de 4% sobre o valor da compra. Além disso, o aluguel mensal das máquinas que permitem a leitura do cartão é de R$ 90,00 cada uma. “Calculando-se por cima, o gasto total é de aproximadamente 7% do total da venda”, destaca Motta.

O presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto de Bernardis, confirma essa tendência de crescimento do cartão e a conseqüente queda dos cheques. “É uma maneira mais fácil e garantida de trabalhar”, diz.

Para exemplificar, ele salienta que até mesmo empresas de pequeno porte estão optando pelas transações com cartão. “Eu mesmo tenho um estabelecimento pequeno e fui obrigado a ter as maquininhas, pois a procura dos clientes era grande.”

Bernardis consegue até visualizar a preferência dos clientes no que diz respeito ao crédito eletrônico: “no período próximo ao pagamento, eles usam mais o de débito; no final do mês, entram no cartão de crédito”.

Fim do pré?

Apesar do investimento ser alto, Motta acredita que o cheque, principalmente o pré-datado, é uma espécie em extinção. “Atualmente, é muito mais vantagem o parcelamento feito com o cartão”, reforça.

Tanto é que alguns estabelecimentos estão deixando de aceitar essa forma de pagamento.

Alexandre Gonçalves Módolo, proprietário de uma rede de padarias de grande movimento na cidade, diz que desde maio deixou de aceitar cheque. “Não compensava”, frisa.

Segundo ele, de cada seis cheques recebidos, três eram devolvidos por falta de fundo ou outro motivo qualquer. “Como essa não é a maneira mais usual de pagamento na nossa empresa, resolvemos suspendê-la”, ressalta.

No início, segundo ele, os clientes estranharam e até reclamaram das mudanças. Mas hoje ele diz que já estão acostumados com isso. “Mesmo pagando taxa para as administradoras, vale a pena trabalhar com cartão.”

Aviso

De acordo com o coordenador do Procon de Bauru, Silvio Orti, não há lei que obrigue as empresas a aceitarem todas as formas de pagamento. Portanto, não aceitar cheque é um direito do comerciante.

Só que, para se valer desse procedimento, é preciso deixar bem claro para o consumidor. “Tem de ter uma placa avisando”, afirma Orti. Caso contrário, o cliente pode se sentir discriminado na relação comercial.

Módolo destaca que, antes de optar pelo não recebimento de cheque, consultou o órgão de defesa do consumidor para buscar orientações. “Colocamos faixas, cartazes e avisos eletrônicos para alertar os clientes.”

Outro alerta do Procon quanto aos cheques diz respeito ao preenchimento das datas neste início de ano. Por força do hábito, é comum o consumidor colocar o ano de 2004 em vez de 2005 na folha, o que pode dar problema na hora da compensação.

Isso porque os bancos só são obrigados a aceitar os documentos com datas antigas até sete meses após a data de seu preenchimento (no caso de cheques da praça) ou oito meses (caso o documento seja de fora).

Se a pessoa colocar janeiro de 2004 na folha em vez de janeiro de 2005, vai ficar a critério da instituição financeira aceitá-la ou não, já que o período de sete ou oito meses já terá sido ultrapassado.

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