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Negligência pode ter causado explosão

Da Redação
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A explosão seguida de incêndio durante a operação de transbordo de combustível de um vagão-tanque que descarrilou na última quarta-feira pode ter sido causada por uma série de negligências em procedimentos básicos para situações como esta. A avaliação é do presidente do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Roque Ferreira, que já admite processar a Novoeste.

O acidente de quarta-feira aconteceu num trecho entre a estação Val de Palmas e o distrito de Nogueira, em Avaí (39 quilômetros a noroeste de Bauru) e atingiu oito vagões-tanques carregados de óleo diesel. Dos oito vagões, seis descarrilaram e dois tombaram completamente. Na ocasião, ninguém ficou ferido.

Já a explosão na retirada do combustível aconteceu no início da noite de anteontem e causou ferimentos ao ferroviário Antônio Valentim Igrezias, 40 anos, que foi socorrido pela Unidade Resgate do Corpo de Bombeiros e encaminhado ao setor de queimados do Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo, onde foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ontem à tarde, o HE informou que o paciente, com um quadro clínico considerado estável, deixou a UTI pela manhã. Ele sofreu queimaduras em 16% do corpo, principalmente na face e nos braços.

A explosão do vagão-tanque desencadeou uma grande operação por parte do Corpo de Bombeiros no combate às chamas e no resfriamento dos vagões. No total, seguiram para o local do acidente 16 homens do batalhão local, além de um caminhão-tanque, dois caminhões de combate a incêndio, uma Unidade Resgate e mais duas viaturas de apoio operacional. Também foram acionados homens e viaturas dos batalhões de Lins e Jaú. Segundo os Bombeiros, a operação começou por volta das 19h30 e terminou apenas no início da madrugada de ontem.

Ferreira informou que já convocou para amanhã cedo uma reunião no sindicato visando discutir junto ao departamento jurídico da entidade quais medidas adotar sobre o acidente. “Um trabalhador sofreu sérios danos físicos, moral e estético, mas poderia ter morrido. E ninguém cobra da operadora (Novoeste) qualquer providência”, diz.

Irregularidades

Segundo o sindicalista, várias irregularidades foram constatadas durante a operação de transbordo, a começar pelo fato de que este procedimento não pode ser realizado no período noturno. Além disso, continua Ferreira, o local não estaria preparado para a operação. “Não havia engenheiro de segurança, cipeiro (integrante da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes de Trabalho) e nem equipamentos de segurança pessoal e coletiva, como extintores”, enumera. No local trabalhavam apenas um artífice de manutenção, um operador de guindaste e o supervisor de maquinista, que acabou ferido.

Para completar o quadro favorável a um acidente, diz Ferreira, os equipamentos utilizados não eram adequados. Ele explica que a bomba usada era pequena e com baixo poder de sucção, o que obrigava os trabalhadores a posicioná-la muito próxima do vagão. Com o esvaziamento do compartimento de combustível, há a formação de gases, que acabaram provocando a explosão após a faísca da ignição da bomba.

Por fim, o Corpo de Bombeiros também não teria sido comunicado sobre a realização do transbordo, o que segundo ele é um procedimento obrigatório. Procurada, a assessoria de imprensa da Brasil Ferrovias, holding que controla as empresas Novoeste, Ferroban e Ferronorte, não foi encontrada ontem para comentar as denúncias.

Na terça-feira, Roque Ferreira estará em Brasília integrando uma delegação de sindicalistas do setor ferroviário para uma audiência com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Na ocasião, ele pretende apresentar algumas propostas para aliviar a situação dos acidentes, como a proibição da monocondução, da terceirização de serviços especializados de manutenção e das horas-extras em excesso.

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