Crianças alegremente correm, fazem castelinhos de areia e de sonhos, gritam brincando e trazendo no rostinho incontida alegria, muitas, quem sabe, vendo a beleza das praias pela primeira vez. Pessoas de todas as idades descansam na areia, despreocupadas, em gozo de merecidas férias, felizes, usufruindo o sol que beija a todos sem distinção, de cor, sexo ou credo religioso. Alguns vendedores trabalham em busca de melhor conforto a sua família, outras tantas pessoas nadam com alegria ao sabor do vaivém das ondas em doce embalo. De repente, algo parece um pouco diferente. Aí, como uma fera traiçoeira, como o rastejar silencioso de uma serpente, as águas do oceano se aproximam para desferir brutalmente um ataque mortal e arrasador.
Tragédia sem par. Pessoas que há alguns instantes eram alegres e felizes se tornam agonizantes, gritando em desespero, pedindo pela ajuda do céu, de alguém, gritando apavoradas, “mãe, me ajude”, “Deus me acuda”, “minha Nossa Senhora”. Clamam em vão, pois a vida se esvai com o furor das águas que, sem piedade, vai ceifando vidas aos milhares, como uma besta apocalíptica que quer mostrar poder de uma forma cruel, arrebatando para dentro do oceano pecadores, inocentes, animais, destruindo tudo o que encontra pela frente. Quem sabe em um grito de alerta para alguma coisa mais terrível que estaria por chegar e que nós não percebemos ainda - ou fingimos não perceber.
Não seria esta a derradeira oportunidade para que abríssemos os olhos, buscando um entendimento universal, onde não estivéssemos tão preocupados com riquezas materiais, e sim nos preocupando com coisas espirituais e religiosas, com o amor ao próximo, com trabalho, honestidade, ajuda a nossos semelhantes, respeito aos animais e às aves, à natureza, ao ar que respiramos, à água que desperdiçamos? Não seria um apelo, por meio de uma tragédia tão dolorosa para toda a humanidade, que Deus estaria fazendo a todos para que o novo ano seja um novo rumo em nossas vidas, buscando paz, amor, compreensão, respeito, dignidade para um venturoso caminhar, para a eternidade, cujo prêmio seria a vida eterna iluminada pelo amor sublime de Deus? (Ary Bueno - RG 3.388.584)