Os sapatos brasileiros viajam o mundo. As exportações do setor coureiro-calçadista atingiu a marca de US$ 3,5 bilhões no ano passado. Terceiro maior produtor de calçados do mundo, com 700 milhões de pares/ano, perdendo apenas para a China e Índia, o segmento foi responsável por US$ 1,7 bilhão em exportações e 330 mil empregos.
As indústrias brasileiras de calçados instaladas em 15 Estados geraram ao longo do ano passado 55 mil novas vagas, elevando para 330 o número de empregos industriais diretos. Se computada toda a cadeia calçadista (do curtume ao varejo), o número de empregos diretos e indiretos sobra para um milhão de pessoas, segundo da assessoria de imprensa da Couromoda.
São 28 mil razões sociais de varejo e 32 mil pontos de vendas de calçados que comercializaram os cerca de 500 milhões de pares no mercado interno. A comercialização dos sapatos, acrescidos da linha de artefatos de couro (bolsas, cintos, pastas etc) gera um faturamento de aproximadamente R$ 25 bilhões por ano, estima a Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac).
Nas exportações, a indústria brasileira recupera mercado e deve fechar o ano de 2004 com 15% de crescimento. São negócios que, embora ainda fortemente concentrados nos Estados Unidos (56,6% do total), atingem hoje mais de 100 diferentes mercados, nos cinco continentes.
Número de exportadores cresceu mais de 10%
As exportações de calçados aumentaram em 50% de 2002 para 2003 e o número de exportadores pulou de três ou quatro para mais de 30 computa o Sindicato das Indústrias Calçadistas de Jaú. As empresas aperfeiçoaram o sistema de gestão e produção e espera fechar o balanço de 2004 com um salto ainda maior.
O motivo do crescimento é a própria dinâmica do mercado e a consolidação do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Pólo Calçadistas de Jaú, criado pelo sindicato com o apoio de várias entidades da cidade.
O atual presidente do sindicato, Caetano Bianco Neto, explica que a divulgação do calçado fabricado em Jaú começou com um projeto financiado pelo Apex.
Mas, acima de tudo, frisa Neto, as exportações de calçados femininos, significa um não ao desemprego. “A exportação está trazendo um alento novo para as empresas de Jaú. Nós trabalhamos com moda e moda é sazonal. Nesta época, de troca de mostruário, verão para inverno, por exemplo, havia um período ocioso que gerava desemprego.”
A venda de calçados para o mercado externo veio cobrir esta lacuna, diz Neto. A profissionalização do empresário, na opinião do sindicalista, fez com que ele entendesse que seu produto tem que ter uma qualidade melhor, porque seu concorrente não é mais o seu vizinho.
O crescimento nas exportações de calçados femininos tem mudado o panorama da situação como um todo na cidade, ressalta o presidente. “Temos recebido visitas constantes de importadores na cidade. Eles vêem em busca de sapatos para o mercado externo e acabam movimentando outros setores da economia local.”
Por conta das visitas, as fábricas de calçados estão terceirizando e algumas, implantando uma nova linha de produtos, a de bolsas.