O chacareiro Paulo Nakamura, 62 anos, é um dos primeiros moradores do Tangarás. Ele conta que quando chegou no bairro, além dele, tinha apenas um outro vizinho e mais ninguém. Atualmente, as chácaras convivem com outras residências e algum comércio do porte de bairro. Porém as ruas de hoje não mudaram muito em relação aos caminhos que há 40 anos o senhor Nakamura percorria para chegar na cidade. Predomina no bairro as ruas de terra. Asfalto só depois do que restou do Country Club, onde já inicia o Jardim Country Club.
Paulo Nakamura produz verduras em meio alqueire de terra e as vende para o Ceagesp, supermercados e quitandas. Simpático, dá ótimos conselhos a Giulin, 10 anos, neto do vizinho de chácara José Miguel Garcia. Apenas uma coisa tira o bom-humor de Nakamura: a falta de segurança no bairro. Ele garante que se deixar a propriedade sem ninguém, o morador certamente terá dor de cabeça. “Eles levam até os fios (fiação elétrica)”, reclama, indignado.
Na terça-feira passada, a reportagem do JC sentiu as dificuldades de se transitar a pé ou de carro pelas ruas esburacadas do bairro. Com a chuva, lama e buracos, as vias ficam intransitáveis.
Na quadra 1 da rua Natal Fornazari, a erosão derrubou um poste que sustenta a fiação de telefone. A cena freqüente em vários bairros de Bauru, se repetiu no Tangarás. O que era um buraco raso, ganhou profundidade e foi aumentando até virar uma erosão que engole o que tiver pela frente. De chuva em chuva o problema vai se agravando com os buracos se multiplicando.
José Roberto Costa Lopes, da Cerâmica Costa Lopes, conta que é freqüente a perda de peças até que os caminhões carregados alcancem o asfalto e sigam viagem para outras cidades. Ele comenta que Luiz Berro, que hoje dá nome à rua onde está a cerâmica, fazia questão de manter as boas condições da rua de terra, mas, depois que deixou o bairro, a situação mudou para pior. Conta um caso de uma freguesa que, em uma das suas compras, voltou com um vaso quebrado ao passar sobre um buraco, logo depois do portão da fábrica de cerâmica. José Roberto lembra que fez a troca sem cobrar, apesar da senhora insistir em pagar pela nova peça, em um gesto que manifestou seu entendimento de que a empresa não tinha que assumir o prejuízo pelas ruas esburacadas. Há dois anos, uma carga de caminhão lotado que foi para Sorocaba perdeu em média de três a quatro vasos. Outro problema é que os veículos sofrem desgaste de pneus que furam e as rodas que amassam. Mesmo com tantos empecilhos, José Roberto comenta que seus pais nunca cogitaram da possibilidade de mudar a fábrica para outro bairro.
Além de gostarem do lugar onde vivem, José Roberto, Nakamura e José Miguel Garcia esperam uma maior atenção do novo governo municipal para o problema da falta de asfalto nas ruas do Tangarás.