Bairros

Do Jardim Bela Vista para a Europa

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

O que Mem Martins, em Sintra, Portugal, tem a ver com a rua São Lourenço, na Bela Vista, em Bauru? Muito, se for considerada a paixão que as portuguesas, principalmente, criaram pelos produtos da Loja da Florista. O casal Iracema Vicente Garcia e José Miguel Garcia e o filho Claudinei estão conquistando o povo europeu com flores confeccionadas em sabonete, cetim, opalina, frutos em parafina e velas, moldes e os cursos de como criar as peças artesanais.

Depois de consolidarem a filial da loja brasileira em Sintra, eles planejam a expansão para Espanha, Itália e Angola. Iracema conta que já visitou a Holanda e lá também pode abrir mercado. O planejamento administrativo para 2005 é que o casal fique mais no Brasil e o filho Claudinei administre com a equipe portuguesa o trabalho do outro lado do Oceano Atlântico.

Exposta desta forma, a história de sucesso da Loja da Florista, da Bela Vista, na Europa parece ter sido um percurso suave. Entretanto, Iracema garante que levou tempo para a aceitação do produto brasileiro. Foi necessário superar a natural desconfiança do povo português em relação à novidade produzida em Bauru. Ela conta que os portugueses têm uma sensibilidade diferente, mas que após conhecerem a proposta, o projeto da filial européia da Loja da Florista deslanchou. “Eles são desconfiados, mas depois que se apegam a você... Eles valorizam muito o trabalho que a gente faz. Quando chega a época da gente voltar, eles ficam em cima. Pedem para a gente não ir. Querem saber quando vamos voltar”, conta Iracema, com orgulho pelos amigos que já conquistou na Europa.

Assim é que o artesanato e os moldes produzidos na Bela Vista se tornaram um grande sucesso na Europa desde 1994, quando o casal abriu a filial.

Os cursos são ministrados por Iracema, Claudinei e José. A última turma de europeus conheceu a técnica em outubro de 2004.

Os portugueses descobriram as flores artificiais através das publicidades da loja inseridas nas revistas do astrólogo JoãoBidu que chegaram ao continente europeu. O casal brasileiro passou a colecionar cartas de pessoas interessadas em aprender a fazer flores e frutas. Sozinhas, as flores são réplicas perfeitas e seu encanto aumenta quando formam um conjunto harmonioso nos arranjos florais artificiais. Conhecendo a técnica e tendo os moldes, as possibilidades de produzir arranjos e peças individuais é ilimitada, prevalecendo a criatividade de cada um.

José Miguel comenta que a novidade são as flores de estanho, uma pesquisa de material novo para aplicar a técnica desenvolvida pelos artesãos brasileiros. O estanho encontrado em Portugal é fácil de ser modelado, diferente do que é disponibilizado no Brasil.

José Miguel comenta que o aluguel pago pelo imóvel em Mem Martins é de 500 euros, o que corresponde a cerca de R$ 1.500,00. “Todo ano lá é bom e agora, com os sete países do leste europeu... A imigração é grande. Tem engenheiro trabalhando como servente de pedreiro”, descreve ao falar sobre o ambiente econômico vivenciado em Portugal.

Iracema e José Miguel começaram a criar as flores e frutas artificiais em 1967, para consumo particular. Os amigos e familiares se interessaram pelo produto e quiseram aprender como era feito. Daí surgiu o negócio do casal. Porém, a tradicional Loja da Florista surgiu na rua São Lourenço no dia 6 de junho de 1987 e se mantém até hoje no mesmo endereço.

O casal produz os moldes numa chácara no bairro Tangarás. Apenas o golfador é fundido no Tangarás. Lá estão instaladas as oficinas da metalúrgica Metais Dourados, criada há mais de 15 anos.

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