Cultura

Turco chega aos 15 anos de carreira

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

“Eu sou um cantor que se acompanha. Se eu fosse um contrabaixista, eu seria medíocre. Meu instrumento é a minha voz.” A declaração é de Carlos André Rodrigues, 30 anos - o Turco, da noite bauruense. Com muita história para contar sobre bares e restaurantes em que se apresentou na cidade e planos para o futuro, o músico comemora 15 anos de carreira que, agora, é solo.

Turco tornou-se conhecido na cidade através das diversas bandas que integrou, entre elas Metástase, Sexmachine e, mais recentemente, Trio Diabo a Quatro. Paulistano, ele mora em Bauru desde os 18 anos de idade e se considera “sortudo” por, desde então, conseguir sobreviver tocando música na região.

Os laços com sua última banda, o Trio Diabo a Quatro, ainda não se desfizeram completamente. Se três vezes por semana ele toca sozinho, uma noite ele dedica ao grupo. Um dos problemas, segundo o músico, é que se tornou difícil manter uma banda numerosa, haja vista o valor do cachê que geralmente é pago pelos estabelecimentos.

“O trio existe ainda com outra formação. Os cachês passaram a ser inviáveis para bandas. Eu comecei com uma banda de cinco integrantes, depois passou a ter quatro e, posteriormente, três. Para bancar combustível, estadia e cachê, cada vez mais diminuímos o núcleo da banda”, justifica o paulistano.

“Eu me lembro que eu ganhava um salário mínimo de cachê (por noite). Se eu ganhasse isso, hoje em dia, tocando quatro vezes por semana, eu teria um salário superbom. Mas não é mais isso. O salário foi se reajustando e o cachê continua o mesmo”, completa.

É possível ouvi-lo em bares também como “Turco e banda”. A vantagem, segundo o músico, é a flexibilidade de tocar com músicos diferentes e, conseqüentemente, obter sonoridades diferentes. “O fato de a banda ter três pessoas trouxe limitações para tocar algumas coisas. Hoje, eu já fiz sons com tecladista, percussionista, saxofonista, baterista, etc. Nisso, eu consegui de fato a diversificação musical que eu queria. Esse objetivo de realmente tocar de tudo foi atingido”, diz.

Durante os 15 anos de carreira, ele reuniu composições próprias. Mas, dificilmente, o público o verá tocando alguma delas. Seu repertório é baseado em covers. “Eu não queria esquecer da minha idéia inicial, que era de tocar as minhas músicas. Mas é complicado para as pessoas ouvir coisas das quais elas não têm referência. Elas não reclamam, mas você tem que ter o bom senso de tocar dez músicas cover e tocar uma sua”, expõe.

No repertório, hoje Turco toca de rock a samba, passando por reaggae e outros estilos. “É bem o Diabo a Quatro mesmo. Eu não me prendo a fazer música em um estilo específico. E eu gosto de todos”, frisa. “Eu acho que a diversidade rítmica da música brasileira é bem interessante”, avalia.

Durante sua trajetória de músico, ele participou de festivais, emplacou um clipe de uma de suas bandas na MTV e ganhou uma liminar na justiça contra a Ordem dos Músicos, que lhe permite hoje tocar em bares e restaurantes sem estar filiado ao órgão.

Gravar um CD faz parte dos planos de Turco. “Não mais como um sonho, mas pela realização pessoal. Se, a partir disso, eu conseguir alguma coisa, legal. Se eu não conseguir, tudo bem. Pelo menos eu gravei minhas músicas”, argumenta.

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Raio X

• Nome Carlos André Rodrigues

• Nome artístico Turco

• Idade 30 anos

• Carreira 15 anos

• Instrumentos guitarra, violão, contrabaixo e voz

• Bandas Trio Diabo a Quatro, Metástase e Sexmachine, entre outras

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