Parecia uma temeridade, milhões de pessoas em espaço limitado, podendo a qualquer momento externar as suas frustrações, as dificuldades de sua sobrevivência na “selva de pedra”, suas agruras particulares e individualismo que ignorasse o bem-estar comum.
Assistiu-se o inverso, 2 milhões de pessoas, brasileiros e turistas, gente de todos os cantos, famílias! Extravasaram, sim, mas a vontade de festejar, a alegria pela chegada de um novo ano, a sua disposição de acreditar, o comportamento respeitoso que deixou claro que o limite de cada um está em não macular o bem-estar coletivo.
O último dia do ano de 2004 havia começado bem, a avenida Paulista recebeu 15 mil pessoas vindas dos mais diversos pontos do País para acompanhar a Corrida de São Silvestre, que transcorreu dentro da mais perfeita organização, contrapondo-se com o episódio da última Olimpíada, em que o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima foi, por ato irresponsável, expurgado do primeiro lugar da competição. Temia-se que aqui poderia acontecer o mesmo, mas o nosso povo novamente deu uma lição de civismo, fair play e cidadania. Ao vencedor, só incentivo no trajeto e aplausos ao final.
Era só um prenúncio do que aconteceria mais tarde. A avenida que durante o dia foi ocupada por atletas, receberia à noite cerca de 2 milhões de pessoas que preencheram pacificamente, com alegria e entusiasmo todos os espaços da mais paulista das avenidas. Foi um momento único, de congraçamento, foi a festa da família brasileira em São Paulo.
E pensar que a tradicional festa de Réveillon da cidade de São Paulo esteve ameaçada de não acontecer - tendo em vista que a antiga administração da prefeitura, após o resultado da eleição, onde o eleitor escolheu José Serra como prefeito, esquivou-se de grande parte de suas responsabilidades. Mas foi a sensibilidade e espírito público do governador Geraldo Alckmin que o levou a chamar para si a responsabilidade, assumindo a festa que foi um dos maiores eventos populares realizados em nossa cidade.
Pude pessoalmente presenciar a grande concentração de pessoas que optaram em comemorar coletivamente a chegada de 2005, e deram demonstração de civilidade e solidariedade - vez que, além da festa, a organização do espetáculo arrecadou alimentos e roupas para as vítimas do maremoto no Sul da Ásia, cerca de duas toneladas de alimentos, 5 mil peças de roupas e 500 cobertores.
Este episódio, além de ser um alerta à necessidade dos governantes agirem acima das disputas políticas e priorizar o interesse público, preservando a atitude republicana, demonstrou também que nossa população, quando convidada a participar, percebendo qualidade e seriedade, responde presente!
Parabéns ao governador Geraldo Alckmin pela sensibilidade de garantir ao povo de São Paulo sua merecida festa de Réveillon. E, principalmente, parabéns ao nosso povo, que deu exemplo de participação com seu comportamento digno. (O autor, Arnaldo Jardim, é deputado estadual)