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Tempo que não escoa


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Janeiro! Qual o seu ano, o seu alvorecer, a sua largada em meio do tempo que não pára de bater asas? Exatamente 2005, ou sejam, dois mil e cinco anos. E como é ele, o tempo, que hoje vivemos resolutamente, indiferentes ao que venha pela frente ou deslize de volta ao passado? Quando começou, como era realmente? Teria sido adornado com isso ao qual damos a atual denominação de tempo? É realmente esse o seu nome ou é fundamentalmente apelido? E quem lhe deu tal cognome no início do mundo, fazendo-o repetir-se sem o menor, ou o mais santo receio, através dos seus 731.820 dias ou nascer do sol e da lua? Foi indubitavelmente Deus, que, no entanto, ignora-se quando nasceu e, logo depois, fez o milagre de gerar a vida, criando os primeiros seres vitais e, também, o relógio das horas para marcar compassadamente a marcha do tempo, que, então, jamais parou, tomando uma viatura, também inventada por Deus, assentando-se em uma de suas invisíveis poltronas e fazendo-a correr apressadamente através dos espaços da natureza. E aí estão ambos, mundo e relógio, numa velocidade sem breque, sem freios de mãos e pés e, por isso, dando motivo para que hoje, como ontem, afirme-se que 2004 circulou correndo de tal forma que nem foi claramente observado, parecendo dotado de asas que não descansam em esquina ou virada nenhuma. Vira tanto que deixa a todos sem tempo para fazer o que precisa fazer de especial para si e para os outros, compromissados que são pelo relógio, presos nas suas entranhas, representadas pelas suas máquinas e/ou ponteiros em eterno movimento. Quer-se saber, então, se o tempo se deve a sua existência física ou aos movimentos dos relógios, uma vez que aquela está sujeita a este, aprisionado nas paredes ou atrelado nos pulsos das pessoas e, dessa forma, ainda que desvestidos de fardas e bonés, comanda a toques de badaladas sonoras a marcha dos exércitos humanos. De qualquer forma não aspira ninguém que o tempo morra como as pessoas e acabe para todos, pois é algo que não pode ter fim. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado. “Ser jovem é olhar a vida de frente, bem nos olhos, saudando cada dia que aparece. Ser jovem é realimentar o entusiasmo, o sorriso, a esperança e a alegria a cada amanhecer, levando a vida para a frente como o tempo que não escoa”.

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