Regional

Sem-terra 'fecham' horto por 24 horas

Por Adilson Camargo | Colaborou Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Piratininga - Um grupo de aproximadamente 90 sem-terra interditou por cerca de 24 horas a passagem de 13 caminhões carregados de madeira do horto florestal, no distrito de Brasília Paulista, em Piratininga (13 quilômetros a sudoeste de Bauru). O trânsito foi liberado ontem por volta das 16h.

A medida foi um protesto dos sem-terra contra a venda da Ripasa para a Suzano Bahia Sul Papel e Celulose e para a Votorantim, do empresário Antônio Ermírio de Moraes, no fim do ano passado.

O interesse dos sem-terra no assunto se deve ao fato do horto florestal, onde estão acampados há seis anos, ter sido arrendado para a Ripasa. Mesmo após a invasão da sede do horto por trabalhadores sem-terra, a empresa nunca pediu a reintegração de posse. Além disso, passou a fornecer sobras de madeira para que os invasores as transformassem em carvão e conseguissem, assim, recursos financeiros de subsistência.

O grupo teme que a mudança no controle da Ripasa acabe refletindo negativamente no acampamento. Ou seja, os novos donos podem não ser tão generosos e decidam pedir a reintegração de posse.

José Mateus, coordenador geral do Novo Milênio, movimento de sem-terra ao qual pertence o grupo acampado no horto de Brasília Paulista, queria falar ontem com algum representante da Suzano ou da Votorantim sobre como deverá ficar a situação das famílias ali acampadas. Essa era uma das exigências do grupo para liberar a passagem dos caminhões. “Está dependendo deles. Chegando aqui, conversando e colocando em ata, os meninos vão todos embora”, disse Mateus, sobre as condições para liberar os motoristas que permaneciam no horto até ontem à tarde.

No entanto, o máximo que os sem-terra conseguiram foi o compromisso de um funcionário da Ripasa de entrar em contato com os novos donos da empresa e depois dar um retorno para os sem-terra.

“Queremos saber se não vai haver uma pressão para que a gente saia daqui”, disse Mateus. Segundo explicou o delegado Paulo Kalil, titular da Polícia Civil de Piratininga, mesmo que os novos proprietários da Ripasa queiram a reintegração de posse, isso só deverá ocorrer quando o processo transitar em julgado (for encerrado).

Isso porque, juridicamente, a empresa não tem mais direito a pedido de liminar. De acordo com o delegado, esse direito se esgotou quando a ocupação do horto pelos sem-terra completou mais de um ano, sem que a empresa manifestasse desejo de que eles deixassem a área.

Agora, para que sejam retirados de lá, é preciso que os novos donos da Ripasa entrem com uma ação de reintegração de posse e esperem até a conclusão do processo, o que normalmente demora alguns anos.

O horto de Piratininga pertencia à Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Após a privatização da empresa, o terreno passou para o governo do Estado, que arrendou a área para a Ripasa até 2007, com direito a uma prorrogação de mais dois anos.

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