Economia & Negócios

Vigilantes de bancos e órgãos públicos estão recebendo os salários com atraso

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 130 funcionários de uma empresa de vigilância de São Paulo que presta serviços para empresas e órgãos públicos de Bauru estão há quatro meses recebendo salários com atraso. Eles reclamam que a empresa está descumprindo as leis trabalhistas em vários aspectos e causando transtornos financeiros para eles.

Um dos vigilantes da empresa, que preferiu não ser identificado, diz que os funcionários que atuam no Instituto Lauro de Souza Lima estão sofrendo com a falta de pontualidade do empregador. “O salário só chega no fim do mês, quando o correto seria receber no quinto dia útil. E o pior: vem sem juros ou qualquer tipo de correção”, salienta.

Com isso, segundo ele, os trabalhadores acabam arcando com muitos problemas financeiros. “A gente conta com o dinheiro no dia certo, mas ele não chega. Aí, é obrigado a atrasar o pagamento das contas de casa”, destaca.

Isso, além do constrangimento, causa prejuízos financeiros, já que as dívidas são pagas com juros e multas. “Eu estou pagando um empréstimo que peguei no banco e os juros são altíssimos. Todo mês sou obrigado a arcar com isso, já que é impossível negociar com esse tipo de instituição”, ressalta outro vigilante da empresa.

Um terceiro funcionário, que também preferiu não revelar seu nome, procurou a reportagem do Jornal da Cidade aos prantos para dizer que não tinha dinheiro nem para comprar leite para levar para os filhos, já que até ontem não havia nenhum indício de salário.

Além desse problema com salários, os vigilantes contam que há colegas com três férias vencidas e que a empresa não os libera para o período de descanso, nem paga os valores devidos. Pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o funcionário tem direito a um mês de férias por ano e não pode acumular o benefício.

Na Justiça

O presidente do Sindicato da Categoria Profissional dos Empregados e de Trabalhadores em Vigilância na Segurança Privada, Conexos, Similares e Afins de Bauru (Sindivigilância), José Antônio de Souza, explica que a entidade já acionou a Justiça do Trabalho para sanar o problema. “A empresa já foi condenada e terá de pagar cerca de R$ 9 mil de multa pelas suas infrações. Esse dinheiro deverá ser revertido para os salários dos funcionários”, afirma.

Ele diz que essa multa é referente ao atrasado ocorrido no mês de outubro do ano passado e que já era para estar nas mãos dos trabalhadores. “O problema é que a Justiça estava em recesso e só agora retornou às atividades”, destaca.

De acordo com Souza, a empresa alega que está com dificuldades para receber os valores de seus clientes - a maioria, órgãos públicos - e que isso prejudicou as contas internas, deixando-a sem caixa para pagar os salários. “Mas isso não justifica, pois os trabalhadores não têm nada a ver com isso. Se uma empresa se dispõe a trabalhar para o governo, tem que arcar com as conseqüências de possíveis atrasos no repasse de verbas”, frisa.

Ele diz que a entidade tentou negociar com o empregador por meio de processos administrativos, mas que não obteve êxito. Por isso, foi necessário acionar a Justiça. “Como os atrasos continuam ocorrendo, acionamos o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho para tentar resolver o impasse”, destaca Souza.

A subdelegada do Ministério do Trabalho (MT) em Bauru, Maria Rita Maringoni, foi procurada pela reportagem, mas disse que não podia falar sobre o caso ontem. O JC entrou em contato com a empresa em São Paulo, mas a diretoria não retornou a ligação até o fechamento desta edição.

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