Tribuna do Leitor

Diltor Opromolla: notável cientista, ótimo professor e um homem bom


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Fiquei muito entristecido quando a notícia do falecimento do dr. Diltor Opromolla chegou até nós, aqui na Nicarágua. Quase três semanas se passaram e a dor ainda é intensa, mas agora se combina com gratidão e sorrisos por uma vida bem vivida.

Amei Diltor pessoalmente por sua amizade. Quando eu e minha esposa Clare chegamos a Bauru em 1974, ele imediatemente acolheu os dois gringos em sua família e círculo de amizades. É rindo que me lembro das muitas horas divertidas que passamos com ele e sua linda esposa Cecília em Bauru e mais tarde em todo o mundo, participando de reuniões sobre a hanseníase. Lembro-me com um sorriso do seu jeitão distraído e de suas excentricidades, marcas de um homem humilde, douto, dedicado a causas e verdades maiores do que ele próprio. Sinto profunda gratidão por ter ele sido meu mentor, por sua inteligência, sabedoria, apoio e lealdade. Admiro sua capacidade de sonhar grandes sonhos e por sua persistência e habilidades mercadológias em fazer esses sonhos se concretizarem. Respeito-o por seus múltiplos e importantes estudos e realizações científicos.

Acima de tudo, entretanto, presto uma homenagem a Diltor por ter sido um homem bom que verdadeiramente se importava com os outros. Ele amava profundamente a família. Amava seus amigos e seu trabalho. Mas o que realmente me impressionava acima de tudo era a maneira como ele amava de fato as pessoas afetadas pela hanseníase, aquelas que ele se dispusera a ajudar quando era um jovem médico.

Para Diltor, elas eram sempre pessoas queridas com nomes e histórias, não apenas estatísticas para trabalhos científicos. Vivia buscando novas maneiras de diminuir sua dor - desde a busca por novos medicamentos e melhores práticas de rehabilitação até a transformação de leprosários e mesmo sociedades, a fim de que elas pudessem viver com produtividade e dignidade. O mundo da lepra mudou bastante nestes últimos 30 anos e Diltor Opromolla teve importante papel nessa transformação.

Muito, muito obrigado, Diltor, por uma vida bem vivida!

Tom Frist

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