Política

Prefeitura traça plano antienchente

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Representantes de vários setores da sociedade estarão reunidos hoje, a partir das 18h, na prefeitura, com o objetivo de traçar um plano emergencial de combate a enchentes na cidade. De acordo com o chefe de Gabinete, Paulo Sérgio Canalli, a idéia é mobilizar os órgãos que possam dar apoio à população no caso de cheias. “Temos de proteger, em primeiro lugar, a vida; depois, o meio ambiente e, por último, o patrimônio.”

Segundo ele, na reunião serão definidos os pontos considerados de risco, tanto no que diz respeito a moradia quanto a trânsito. “Não temos como evitar que as chuvas atinjam esses locais, mas podemos evitar que elas causem estragos ainda maiores”, salienta.

No caso de precisar deslocar famílias de áreas de risco para um local seguro, a prefeitura conta com os ginásios da Bela Vista e da Vila Santa Luzia. “A primeira opção em casos como esse é remover as pessoas para casa de parentes. Mas quando isso não é possível temos de ter um local já pré-determinado”, ressalta.

O chefe de Gabinete salienta que a Defesa Civil de Bauru possui colchonetes e cobertores para atender a população em situações de emergência, mas não sabe dizer se o material é em quantidade suficiente. “Vamos verificar isso na reunião”, afirma.

De acordo com um levantamento da Defesa Civil, há 90 famílias vivendo em áreas de risco, como nas favelas São Manoel, do Parque Jaraguá, próximo a erosões e a córregos.

Sistema viário

Há quatro anos, no mês de fevereiro, Bauru viveu uma tragédia causada pelas chuvas. Quatro pessoas morreram depois de serem arrastadas pelas águas em locais considerados pontos de risco na cidade.

Para evitar que isso se repita, Canalli acredita que é necessário ter um plano emergencial para desviar as pessoas dessas áreas a tempo. “Por isso, convocamos a Polícia Militar e a Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) para participar da reunião”, frisa.

Ele destaca que, tendo o alerta da meteorologia em mãos, é possível evitar que cenas como as que ocorreram em 2001 aconteçam novamente.

Entre os pontos mais críticos do sistema viário da cidade estão a avenida Nações Unidas (principalmente no cruzamento com a avenida Rodrigues Alves e sob o viaduto da Fepasa), a quadra 1 da avenida Castelo Branco e a avenida Alfredo Maia.

Deverão participar da reunião, além de Canalli, o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, e representantes das secretarias municipais de Obras, Bem-Estar Social e Esporte e Lazer. Também estão convocados o Departamento de Água e Esgoto (DAE), a Emdurb, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar (PM), o Tiro de Guerra e a 6.ª Circunscrição de Serviço Militar (CSM).

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Falta estrutura

A última grande tragédia causada pelas chuvas em Bauru aconteceu em fevereiro de 2001. Na ocasião, 40 minutos de tempestade mataram quatro pessoas e deixaram a cidade um verdadeiro caos.

As vítimas estavam nas ruas consideradas pontos de risco, como avenida Alfredo Maia e Nuno de Assis. A Defesa Civil havia sido avisada que uma forte chuva se aproximava da cidade, mas não teve condições de armar um sistema de emergência para evitar o problema.

Contando com apenas um telefone celular e um automóvel, o coordenador do órgão, Álvaro de Brito, ficou impossibilitado de dar toda a assistência necessária naquele momento. A falta de um esquema de prevenção foi apontada como uma grande falha no atendimento à população na época.

Vale lembrar que, de lá para cá, pouco coisa mudou com relação à estrutura da Defesa Civil, que cobrava a disponibilização de equipamentos e de veículos para prestar socorro à população.

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